Entre Corpos e Versos
Há amores que não terminam… apenas mudam de lugar dentro da gente.
Saem das mãos e ficam na memória.
Saem da boca e moram no silêncio.
Saem da vida… mas nunca do peito.
Eu te escrevi em noites que ninguém viu,
em páginas que o mundo não teve coragem de ler,
em versos que tremiam só de lembrar teu nome.
E ainda assim… você continua aqui.
Não como presença, mas como ausência que pesa.
Como um toque que o tempo não conseguiu apagar.
Como uma saudade que aprendeu a respirar sozinha dentro de mim.
Entre corpos e versos, nós fomos isso:
um encontro que parecia destino,
mas terminou como dúvida.
Teu olhar ainda me atravessa em dias comuns,
como se o passado insistisse em não virar passado.
E eu sigo fingindo que já te deixei ir,
quando na verdade só te escondi em lugares mais profundos.
Porque existem amores que não sabem morrer.
Eles apenas adormecem nos cantos da alma,
acordando toda vez que o silêncio fica parecido com o teu nome.
Eu já tentei te esquecer em outros sorrisos,
em outras vozes, em outros abraços…
mas nenhum deles soube pronunciar a minha saudade do jeito que você pronuncia o meu vazio.
E então eu entendo:
não foi amor que acabou.
Foi o mundo que não soube sustentar o que a gente era.
Se algum dia você voltar,
não me encontre igual…
porque eu já fui embora de mim tantas vezes por você
que hoje só sobrou poesia.
E ainda assim… eu te escrevo.
Porque algumas histórias não querem final.
Querem eco.
Querem eternidade.
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—Paulinha Cunha—
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