Entre Lágrimas e Risos
Entre lágrimas e risos, caminho,
como quem dança na beira do abismo,
onde o vento sussurra segredos antigos
e a chuva desenha memórias no vidro da alma.
Riem os dias claros,
quando o sol toca minha pele com leveza,
mas chora a noite silenciosa,
que guarda o eco de palavras que nunca disse,
de abraços que ficaram presos no tempo.
Entre lágrimas e risos, aprendi a ver
o valor escondido em cada cicatriz,
o brilho que insiste em nascer
mesmo quando tudo parece escuro,
mesmo quando o coração tropeça
nos próprios desejos e medos.
Risos brotam como flores tímidas,
no jardim secreto da esperança,
enquanto lágrimas regam os sonhos,
fazendo-os crescer fortes,
como árvores que desafiam tempestades,
como estrelas que insistem em brilhar
mesmo na noite mais fria.
Entre lágrimas e risos, sou feita de contrastes,
sou fogo que aquece e gelo que dói,
sou silêncio que escuta e palavra que grita,
sou lembrança que fere e memória que acolhe.
Riem os olhos de quem me ama,
choram os que partiram,
e eu, entre risos e lágrimas,
aprendo que viver é aceitar
que a dor e a alegria
são faces da mesma moeda,
que girando, sempre nos ensina,
que cada instante é único,
e cada sentimento, legítimo.
Entre lágrimas e risos, descubro-me inteira,
mesmo quando me sinto quebrada,
mesmo quando o mundo parece cinza,
porque há uma beleza silenciosa
em cada lágrima que escorre
e em cada sorriso que nasce.
Aprendi que chorar não é fraqueza,
que rir não é ignorar,
mas sim, entender que somos humanos,
tecidos de experiências e emoções,
e que entre lágrimas e risos
se encontra a essência da vida,
o amor que nos move,
e a coragem de continuar,
mesmo quando tudo parece perdido.
Entre lágrimas e risos, sigo,
com o coração aberto,
com a alma vulnerável,
mas com a certeza
de que cada lágrima é semente
e cada riso, florescendo,
me faz inteira,
me faz viva.
—Paulinha Cunha—
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