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Entre Lágrimas, Me Levantei Houve um dia em que o chão se abriu sob meus…

Entre Lágrimas, Me Levantei

Houve um dia em que o chão se abriu sob meus pés,

e eu não soube se afundava ou se nascia.

As lágrimas desciam como rios sem mapa,

e eu, perdida, perguntava à noite:

"Existe ainda um amanhã pra mim?"

Chorei o choro de quem perdeu pedaços de si,

chorei pelas promessas que o tempo não cumpriu,

chorei pelas portas que bati e ninguém abriu,

chorei pelo amor que se foi sem dizer adeus,

chorei por mim, principalmente por mim,

porque às vezes esquecemos de chorar por nós mesmos.

Mas entre uma lágrima e outra,

percebi que ainda respirava.

E respirar, eu aprendi, já é começo.

Já é semente.

Já é um pequeno "sim" que o corpo diz

quando a alma ainda duvida.

Entre lágrimas, me levantei.

Levantei mesmo com as pernas bambas,

mesmo com o peito em escombros,

mesmo sem saber pra onde ir.

Levantei porque alguma coisa dentro de mim

se recusou a ficar deitada para sempre.

Levantei porque descobri que dor

não é sentença, é apenas capítulo.

E os capítulos, eu sei, viram página.

Entre lágrimas, me levantei

e olhei pro espelho rachado da minha história

e vi, no meio dos cacos,

uma mulher que ainda tinha fogo.

Um fogo pequeno, quase imperceptível,

mas vivo.

E fogo vivo, por menor que seja,

é tudo o que se precisa

pra incendiar um recomeço.

Aprendi que ninguém se levanta inteiro.

A gente se levanta em pedaços,

costurando um caco aqui,

um caco ali,

até que o mosaico, mesmo torto,

comece a parecer com a gente de novo.

Entre lágrimas, me levantei

e entendi que força não é ausência de choro,

força é chorar e, ainda assim,

dar o próximo passo.

Força é cair de novo

e se levantar de novo,

sem aplausos, sem plateia,

só com a teimosia silenciosa

de quem decidiu sobreviver.

Hoje eu olho pra trás

e não vejo fraqueza nas minhas lágrimas.

Vejo rio.

Vejo travessia.

Vejo a prova de que existi

mesmo quando tudo dizia

que eu não ia conseguir.

Entre lágrimas, me levantei,

e se você está caindo agora,

se o seu chão também rachou,

saiba que não existe vergonha

em chorar enquanto se reconstrói.

A vergonha estaria em desistir

antes de descobrir

do que você é capaz.

Levante-se.

Mesmo mancando.

Mesmo em silêncio.

Mesmo sem saber o nome

do que vem depois da dor.

Levante-se,

porque entre lágrimas

também se aprende a voar.

—Paulinha Cunha—

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