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Entre Luz e Dor Há dias em que a alma amanhece em silêncio, como se o mundo…

Entre Luz e Dor

Há dias em que a alma amanhece em silêncio,
como se o mundo inteiro tivesse esquecido meu nome…
e ainda assim, dentro de mim, você continua dizendo “fica”.

Entre luz e dor eu caminho descalça por lembranças,
pisando em fragmentos do que fomos,
e do que nunca conseguimos ser por inteiro.

Te amar foi como acender uma estrela dentro do peito
sabendo que ela também poderia me queimar.
E queimou.

Mas mesmo assim, eu fiquei olhando o brilho,
como quem prefere a dor da luz
à ausência do nada.

Você vive em mim como uma saudade que não aprende a ir embora,
uma presença invisível que toca minha pele por dentro,
como vento frio atravessando portas fechadas.

Eu te encontrei em tantos lugares que não existem mais:
no eco do meu riso antigo,
na esquina dos meus sonhos interrompidos,
na cama onde o silêncio gritava seu nome.

E quando a noite cai,
é você que me visita sem pedir licença,
reorganizando tudo que eu já tentei esquecer.

Dizem que o tempo cura,
mas o tempo só aprende a disfarçar.

Porque ainda dói…
não como ferida aberta,
mas como lembrança viva que respira dentro de mim.

Eu te amei no impossível,
no que não tinha futuro,
no que já nascia partido.

E mesmo assim, te amei inteiro.

Agora me resta esse amor mal resolvido,
esse sentimento que não encontra porta de saída,
essa saudade que não cabe no peito
e transborda pelos olhos em noites quietas.

Se um dia você me perguntar o que fomos…
eu não saberei responder.

Talvez tenhamos sido luz demais para durar,
ou dor demais para esquecer.

Talvez tenhamos sido só isso:
um amor que não soube terminar.

E ainda assim… continua.

Como tudo que é eterno dentro de mim.


—Paulinha Cunha—

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