🌑✨ ENTRE MEDOS, ME ACHEI ✨🌑
(um encontro entre a sombra e a coragem)
Eu caminhei por dentro de mim
como quem atravessa uma casa escura
sem saber exatamente
se cada porta aberta
me salvaria
ou me quebraria.
Havia em mim medos antigos,
daqueles que não fazem barulho,
mas ocupam todos os cantos
da alma.
Medo de não ser suficiente,
de ser demais,
de ser nada no meio de tudo.
E mesmo assim…
eu continuei.
Porque existe um ponto na vida
em que a gente não foge mais,
a gente atravessa.
Eu atravessei.
Atravessei os silêncios que me engoliam,
as expectativas que não eram minhas,
os amores que me diminuÃam,
os olhares que me cabiam em caixas pequenas
onde eu nunca coube.
E foi no meio do medo
que eu me encontrei.
Não inteira.
Não pronta.
Não perfeita.
Mas verdadeira.
Eu me vi sem máscaras,
sem pressa de agradar,
sem necessidade de caber
onde me apertavam.
E isso doeu.
Porque crescer por dentro
nem sempre é leve,
às vezes é desmoronar
o que a gente achava que era lar.
Mas também libertou.
Libertou o meu jeito de sentir,
de escolher,
de dizer não,
de dizer sim para mim.
Hoje eu entendo:
não era sobre vencer o medo.
Era sobre não deixar ele decidir por mim.
E quando ele tentou me parar,
eu respirei fundo…
e continuei.
Porque no fundo do medo
havia eu.
Esperando ser encontrada.
Esperando ser escolhida.
Esperando ser vivida.
E eu me escolhi.
Talvez não tenha sido bonito o caminho,
mas foi real.
E isso muda tudo.
Agora eu sei:
não sou o que me assustou.
Sou o que permaneceu.
Sou o que atravessou.
Sou o que, mesmo tremendo,
não desistiu de si.
E foi assim…
entre medos,
que eu me achei.
—Paulinha Cunha—
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