ENTRE O QUASE E O NUNCA
Houve um tempo em que nossos silêncios diziam mais do que qualquer palavra,em que teus olhos me prometiam mundos
que tua coragem nunca soube cumprir.
E eu fiquei…
entre o quase do teu amor
e o nunca da tua decisão.
Fiquei nos detalhes que você deixou escapar,
nas mensagens não enviadas,
nos “e se” que se tornaram prisões dentro de mim.
Porque amar você
foi aprender a viver com metade de tudo:
metade de presença,
metade de verdade,
metade de um sonho que insistia em parecer inteiro.
E ainda assim,
eu te amei por completo.
Te amei nos dias em que você vinha,
mas também nos dias em que você escolhia ir embora
sem ao menos dizer adeus.
Te amei nas promessas quebradas,
nas noites em que teu nome era a única certeza
no meio do caos do meu peito.
Saudade…
essa palavra pequena que carrega o peso de um universo,
mora em mim como um eco teu
que se recusa a desaparecer.
É estranho sentir falta
de algo que nunca foi realmente meu.
É estranho ainda esperar
por alguém que nunca soube ficar.
Mas o amor…
ah, o amor não entende de lógica.
Ele floresce no improvável,
se perde no impossível
e insiste em permanecer
mesmo quando tudo já acabou.
Hoje eu caminho sozinha,
mas levo comigo os rastros do que fomos—
ou do que quase fomos.
E, no fundo, eu sei:
você também sente.
Só nunca soube admitir
que fomos mais do que um erro…
e menos do que um destino.
E assim seguimos—
dois corações presos
em um amor mal resolvido,
separados pela coragem que nunca tivemos.
Mas eternizados
na saudade que nunca vai embora.
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—Paulinha Cunha—