Entre o Que Fica e o Que Nunca Foi
Há um lugar em mim onde teu nome ainda respira,
como uma chama que o tempo não conseguiu apagar,
um eco perdido entre o amor que não se retira
e a saudade que insiste em me visitar.
Eu te amei no silêncio dos dias não vividos,
na metade das promessas que não chegaram ao fim,
nos abraços que ficaram suspensos, partidos,
como se o destino tivesse medo de nós dois, assim.
E há em mim um amor mal resolvido, inteiro e ferido,
que não sabe se vai ou se fica a sangrar,
um sentimento que mora no que não foi vivido
e ainda assim não aprende a parar de te amar.
Te procurei nos espaços vazios da madrugada,
nos sonhos que acordam sem me pedir permissão,
e cada lembrança tua, mesmo em mim calada,
bate forte, descompassa meu coração.
A saudade em mim não é leve, é tempestade,
é mar que quebra sem nunca se acalmar,
é tua ausência vestida de eternidade,
que me ensina a esquecer… mas só sabe lembrar.
Eu quis te deixar no passado que não se escreve,
mas o passado teima em morar no agora,
e toda vez que o peito em silêncio se atreve,
é teu nome que volta sem hora.
Se amar é isso — perder-se sem ser encontrado,
então eu te amei na forma mais inteira e cruel,
um amor bonito, porém desajustado,
feito de céu partido e gosto de fel.
E sigo assim… entre o quase e o nunca,
entre o adeus que não soube dizer,
com uma saudade que grita e nunca afunda,
porque insiste em te querer.
Talvez um dia eu te liberte de mim,
ou me liberte enfim de você,
mas hoje eu só sei que o amor é assim:
fica… mesmo quando devia morrer.
—Paulinha Cunha—
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