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Entre o Que Fomos e o Que Você Escolheu Ser

Entre o Que Fomos e o Que Você Escolheu Ser
Eu ainda te encontro
nos cantos mais silenciosos de mim,
onde o tempo não ousa tocar
e a saudade insiste em florescer
como uma dor bonita demais para morrer.

Dizem que acabou…
mas ninguém viu o jeito que o meu peito
ainda pronuncia teu nome
em cada batida descompassada,
como se amar você fosse um erro
que eu nunca aprendi a corrigir.

Nós fomos intensidade crua,
um incêndio sem aviso,
daqueles que queimam promessas
e deixam cinzas cheias de lembranças
que ninguém mais entende além de nós.

Mas então vieram as dúvidas,
as palavras mal ditas,
os olhares atravessados,
as histórias mal contadas…
e aquela traição que talvez nem tenha existido,
mas doeu como se tivesse sido real.

Porque às vezes
não é o que aconteceu que destrói tudo,
é o que a gente imagina no escuro,
é o silêncio que grita,
é o orgulho que fala mais alto que o amor.

E eu te perdi…
não para um adeus definitivo,
mas para um “e se?” que nunca mais teve resposta.

Agora você sorri para outro alguém,
segura outra mão,
beija outra boca
como se o nosso passado
não tivesse deixado marcas no teu presente.

E eu me pergunto, em segredo:
você também sente?
Ou só eu fiquei preso
nesse amor mal resolvido
que insiste em não ter fim?

Porque aqui dentro,
a gente ainda existe…
em versões quebradas,
em lembranças que não se encaixam mais,
em promessas que nunca chegaram a nascer.

E dói te ver seguindo,
dói te imaginar feliz
em um lugar onde eu não sou mais bem-vindo,
dói aceitar
que o nosso “pra sempre”
não passou de um quase.

Mas mesmo assim…
se você voltasse hoje,
com os olhos cheios de verdade
e o coração livre de mentiras,
eu não sei se teria forças
para dizer não.

Porque amar você
foi o erro mais bonito que eu cometi,
e também a ferida
que eu nunca quis curar.

E talvez seja isso…
o amor que não termina,
só aprende a se esconder
atrás de sorrisos falsos
e silêncios que ninguém vê.

Mas eu vejo.
Eu sinto.
Eu lembro.

E no fundo…
eu ainda espero.

—Paulinha Cunha—

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