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Entre o Silêncio e a Ausência

Entre o Silêncio e a Ausência
Desde que aprendi a abrir os olhos para este mundo,
tu, pai, foste sombra distante,
uma presença que se fazia apenas no vazio,
uma indiferença que me ensinou a me calar,
a engolir minhas lágrimas antes que caíssem,
a esconder meu choro para que ninguém notasse
que eu, menina, desejava apenas um toque teu.

Cresci aprendendo que teu amor não existia,
que teu abraço era território proibido,
que teu olhar nunca se demoraria em mim.
E eu, pequena e esperançosa,
esperava sinais que nunca vieram,
pequenos gestos, palavras, olhares...
e tudo era silêncio,
eco de um coração que não me queria perto.

Quantas vezes tentei chamar tua atenção,
quantas vezes precisei de um “está tudo bem”
que não saiu de tua boca?
Quantas vezes sentei no chão do meu quarto
imaginando que talvez, só talvez,
tu me enxergasse de verdade,
me tocasse com amor,
me dissesse que eu importava...
E a resposta era sempre nada,
a ausência tornando-se muralha,
o teu descaso, meu espelho cruel.

Pai, não sei se sentiste alguma vez
o peso da tua frieza sobre mim,
não sei se percebeste que cresci com buracos na alma,
que teu desprezo virou companhia constante,
que tua falta de cuidado virou minhas cicatrizes,
marcas que ninguém vê, mas que queimam por dentro.

Mas aqui estou eu,
com minhas feridas expostas,
meu peito aberto para o vento,
minha voz quebrando o silêncio que me sufocava.
Não mais implorando, não mais esperando,
mas dizendo: eu existo.
Eu sinto.
Eu sou.

E mesmo que nunca tivesses me dado amor,
aprendi a me abraçar,
a me proteger,
a acender minha própria luz
quando tu apagavas a tua.
Mesmo que tua ausência tenha moldado meus dias,
minha dor virou força,
meu silêncio se tornou grito,
minha solidão se tornou coragem.

Pai, tu foste o vazio que me ensinou a lutar,
a buscar carinho nos meus próprios braços,
a me reconhecer, a me aceitar,
a ser inteira sem tua aprovação.
E mesmo magoada, mesmo ferida,
eu floresço.
Eu existo.
Eu sou mais do que tua indiferença podia alcançar.

Hoje, minha poesia é meu escudo,
minha voz é meu ato de resistência,
minha dor é minha liberdade.
E tudo que eu sinto por ti,
por tua ausência,
transformo em palavras,
em versos que gritam,
que reclamam,
que libertam.

Eu não sou tua sombra.
Eu não sou teu silêncio.
Eu sou minha própria luz,
e ela brilha mais forte do que teu desprezo jamais poderia apagar.

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#ForçaQueSurgeDaDor

—Paulinha Cunha—
Entre o Silêncio e a Ausência