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Entre Promessas e Mentiras

Entre Promessas e Mentiras

Há um silêncio que grita dentro de mim,
um eco antigo de promessas quebradas,
palavras que vestiam o amor de eternidade
mas que desabaram como vidro fino ao primeiro toque da realidade.

Eu ainda lembro do jeito que você dizia meu nome,
como se fosse abrigo, como se fosse lar,
e eu acreditei…
acreditei como quem se joga no abismo
sem saber se haverá chão para encontrar.

Entre promessas e mentiras,
me perdi de mim ao tentar te encontrar em nós.
E agora só restam fragmentos do que fomos,
espalhados pela memória
como cartas que nunca chegaram ao destino certo.

A saudade não tem pressa,
ela se instala devagar,
e quando percebe, já mora em cada canto do peito,
fazendo da ausência um tipo cruel de presença.

Eu sinto sua falta nas horas mais banais,
no silêncio da madrugada que insiste em me lembrar
que o amor também pode ser um engano bem vestido.
E mesmo assim, ainda dói como verdade,
mesmo sabendo que foi mentira disfarçada de eternidade.

Você foi abrigo e tempestade,
foi promessa dita com olhos fechados
e despedida sem coragem de encarar.

E eu…
eu fui tudo o que ficou esperando
um amor que já tinha ido embora antes mesmo de acabar.

Agora entendo:
nem todo “para sempre” resiste ao tempo,
nem toda saudade significa retorno,
e nem todo amor é feito para ficar.

Mas ainda assim,
em algum lugar dentro de mim,
você continua existindo
como uma história que não teve fim,
só parou de ser escrita.

E eu sigo aqui,
entre promessas e mentiras,
tentando aprender a desaprender você
enquanto a saudade insiste em não me deixar esquecer.

—Paulinha Cunha—

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