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Entre Sombras, Brilho Há um lugar em mim onde a noite não termina, onde as…

Entre Sombras, Brilho

Há um lugar em mim onde a noite não termina,
onde as sombras não são apenas ausência de luz,
mas também caminhos secretos que me ensinam a enxergar.
Eu já fui silêncio que ninguém escutava,
já fui lágrima escondida atrás de um sorriso treinado,
já fui a versão de mim que aceitava migalhas por medo de partir.

Mas até as sombras cansam de esconder o que precisa florescer.

E foi assim…
no intervalo entre o cair e o levantar,
que eu descobri que nem toda escuridão é fim —
algumas são preparação.

Eu caminhei por dentro de mim como quem atravessa um deserto sem mapa,
sentindo o peso das próprias escolhas,
ouvindo ecos de tudo aquilo que não deu certo,
carregando perguntas que ninguém respondia.

E ainda assim… eu continuei.

Porque existe uma força estranha nas pessoas quebradas:
elas aprendem a reconstruir-se com o que sobrou.

Entre sombras e silêncios, eu comecei a ouvir minha própria voz.
Não a voz do medo, não a voz da dúvida,
mas aquela voz pequena e teimosa que insiste em dizer:
“você ainda não terminou.”

E então eu entendi:
o brilho não chega pronto.
Ele nasce devagar, dentro das rachaduras.

Eu já não tenho medo das minhas noites mais longas,
porque foi nelas que eu descobri estrelas que ninguém me contou.
Cada dor que me atravessou deixou um mapa invisível,
cada queda me ensinou uma forma nova de levantar sem pedir permissão ao mundo.

E se hoje eu brilho…
não é porque nunca escureci,
mas porque aprendi a transformar o escuro em raiz.

Há uma beleza estranha em quem sobrevive ao próprio abismo.
Não é uma beleza perfeita, nem suave.
É uma beleza que tem marcas, cicatrizes e histórias que não cabem em silêncio.

Eu não sou feita só de luz.
Sou feita de tudo o que me faltou,
de tudo o que perdi,
e de tudo o que precisei me tornar para não desistir de mim.

E quando o mundo tenta me apagar,
eu lembro: até a chama mais fraca pode incendiar o impossível.

Porque viver não é apenas resistir às sombras…
é aprender a conversar com elas,
até que elas se tornem parte da nossa luz.

Hoje eu não peço permissão para brilhar.
Eu apenas existo — inteira, imperfeita, em construção.

E isso já é suficiente.

Entre sombras, eu encontrei brilho.
Entre dores, encontrei voz.
Entre quedas, encontrei caminho.

E se alguém me perguntar onde tudo começou…
eu direi:
começou quando eu decidi não me abandonar mais.

#EntreSombrasEBrilho
#ResiliênciaDaAlma
#ForçaInterior
#RessignificarAVida
#PoesiaContemporânea

—Paulinha Cunha—