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Entre Versos e Lembranças

Entre Versos e Lembranças
Entre versos e lembranças, minha alma vagueia
Por ruas que só o tempo lembra,
Por cafés esquecidos e janelas abertas
Onde o vento sussurra segredos que ninguém ousa contar.

Meus dedos percorrem páginas amareladas,
Folhas que guardam risos e lágrimas,
Beijos que se perderam na curva de um sorriso
E promessas que ecoam entre paredes silenciosas.

O perfume do passado ainda insiste em me encontrar,
Entre livros, fotografias e cartas não enviadas.
Cada verso que escrevo é uma ponte
Entre quem fui, quem sou, e quem ainda posso ser.

Teus olhos surgem nos reflexos da noite,
Como faróis que não se apagam mesmo na escuridão.
E eu me perco entre o “lembrar” e o “esquecer”,
Entre o desejo de abraçar o que passou
E o medo de perder o que ainda vive dentro de mim.

Há uma dança silenciosa entre minhas memórias
E os sonhos que ainda ouso construir.
Um passo aqui, outro ali,
Entre sombras que me tocaram
E luzes que insistem em brilhar, mesmo quando não vejo.

Entre versos e lembranças,
Aprendi que cada lágrima é um poema,
Cada sorriso, uma história não contada,
E cada silêncio, uma confissão do coração.

Que eu seja capaz de transformar saudade em poesia,
Dor em beleza, e ausência em melodia.
Que meus pensamentos voem livres,
Sem correntes, sem culpa, sem limites.

E quando a noite vier, como sempre vem,
Que eu possa caminhar entre estrelas e memórias,
Segurando firme a mão de quem fui e de quem serei,
Entre versos e lembranças, sempre renascendo,
Sempre vivendo, sempre amando.

—Paulinha Cunha—

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