Entre Versos e Suspiros
Entre versos e suspiros eu caminho,
perdida nos labirintos da minha própria alma,
onde cada palavra é um eco do que sinto,
e cada silêncio é um grito que não se cala.
No compasso das lembranças, dançam meus sonhos,
entre cores que o tempo insiste em apagar.
Sinto o vento sussurrar segredos antigos,
e a lua, testemunha eterna, me olha em silêncio.
A cada passo, sinto o peso da saudade,
um perfume de lembrança que não se dissipa.
Teu nome, tatuado em minhas veias,
faz do meu coração um poema inacabado,
um suspiro que se mistura ao ar que respiro.
Ah, se eu pudesse, transformaria em versos
todas as noites em que te esperei em vão,
todas as lágrimas que derramei sem aviso,
todos os abraços que não pude te dar.
Mas há beleza na dor que nos molda,
na cicatriz que se torna medalha,
e no silêncio que, paradoxalmente,
grita mais alto que qualquer voz.
Entre versos e suspiros me descubro,
descubro-me inteira, mesmo fragmentada,
como quem coleciona estrelas caídas
no céu que insiste em me iluminar.
E cada palavra que nasce da minha pena
é um universo que se abre aos que têm coragem
de olhar para dentro, de sentir sem medo,
de se perder no abraço das emoções.
Entre o querer e o desistir,
entre o lembrar e o esquecer,
meu coração aprende a dançar sozinho,
mas ainda sonhando com teus passos
que um dia, talvez, voltem a encontrar os meus.
Entre versos e suspiros, eu permaneço,
uma viajante do próprio sentir,
e mesmo que o mundo se desfaça ao redor,
a poesia me mantém inteira, viva,
como se cada letra fosse uma eternidade.
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—Paulinha Cunha—