Há noites em que o céu parece sussurrar segredos,
como se cada estrela fosse um coração aceso
pulsando histórias que ninguém ousou contar.
E eu, pequena diante do infinito,
aprendo a ouvir o silêncio do universo,
como quem escuta o próprio peito
pedindo para não desistir de amar.
Uma estrela cadente cruzou meu caminho,
rápida, intensa, impossível de prender,
mas deixou em mim um rastro de luz
que nem o tempo consegue apagar.
Dizem que devemos fazer um pedido,
mas eu não pedi nada...
porque naquele instante eu entendi
que já era um milagre estar viva,
respirando sonhos,
carregando dentro de mim
um universo inteiro em construção.
Sou feita de pedaços de esperança,
de saudades que viraram força,
de lágrimas que aprenderam a brilhar
como constelações escondidas na alma.
Cada queda minha
foi só mais um ensaio para voar.
Cada dor, uma fagulha
preparando meu céu para renascer.
Porque até as estrelas caem,
e ainda assim continuam sendo estrelas.
E se um dia você se sentir perdido,
olhe para o céu —
talvez não veja a estrela caindo,
mas ela já passou por lá
só para lembrar
que tudo que é bonito
também é passageiro...
e justamente por isso
é eterno dentro de quem sente.
Então brilhe,
mesmo que o mundo não esteja olhando.
Ame,
mesmo que o medo tente te parar.
E quando for a sua vez de cruzar o céu,
não tenha medo de cair —
há beleza até na despedida de quem ilumina.
Porque ser luz
nunca foi sobre durar para sempre,
mas sobre marcar o infinito
com a intensidade de um instante.
—Marili Cunha—
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