P

Eu, Inteira e Viva

Eu, Inteira e Viva

Eu não nasci para caber

em molduras estreitas,

nem para ser silêncio

onde o mundo exige grito.

Eu nasci para ser vento,

para atravessar tempestades

com os olhos abertos

e o coração em chamas.

Houve dias — ah, houve —

em que fui quase ausência,

quase sombra esquecida

no canto de mim mesma.

Dias em que o espelho

não me reconhecia

e minha alma parecia

um quarto sem janelas.

Mas sobrevivi.

Sobrevivi às palavras não ditas,

às despedidas sem aviso,

aos amores que me ensinaram

mais sobre dor do que sobre ficar.

E ainda assim,

eu fiquei.

Fiquei por mim.

Porque dentro de mim

sempre existiu uma chama

teimosa demais para apagar,

indomável demais para ceder.

Hoje eu me ergo —

não perfeita,

não intacta,

mas inteira.

Inteira nas minhas cicatrizes,

inteira nas minhas quedas,

inteira nas vezes

em que precisei me reconstruir

com as próprias mãos tremendo.

Eu sou feita de recomeços,

de madrugadas em claro

e de promessas que fiz a mim mesma

quando ninguém mais estava olhando.

Sou a tempestade

e a calmaria depois dela.

Sou o caos que dança

e a paz que floresce.

E se antes eu me escondia

com medo de não ser suficiente,

hoje eu me mostro —

com tudo que sou,

com tudo que carrego,

com tudo que ainda estou me tornando.

Porque ser inteira

não é nunca se quebrar,

é saber se juntar

quantas vezes for preciso

e ainda assim

continuar acreditando

na própria força.

E eu acredito.

Acredito no meu caminho,

na minha voz,

no meu brilho que não pede licença

para existir.

Eu sou mais do que sobreviver —

eu sou viver.

Viver intensamente,

sem pedir desculpas

por ser profunda demais,

sentir demais,

amar demais.

Eu sou raiz e flor,

queda e voo,

início e recomeço.

Eu sou tudo aquilo

que disseram que eu não podia ser —

e muito mais.

E agora, finalmente,

eu me abraço

sem medo,

sem culpa,

sem reservas.

Porque eu aprendi

que não há nada mais bonito

do que uma mulher

que se encontrou

depois de se perder tantas vezes.

E aqui estou eu —

inteira,

imperfeita,

indestrutível.

Viva.

Intensamente viva.

E ninguém,

absolutamente ninguém,

vai me diminuir

ao ponto de eu esquecer

quem eu me tornei.

Porque eu sou minha própria revolução.

E isso…

isso é só o começo.

#EuInteiraEViva #PoesiaFeminina #AmorPróprio #ForçaInterior #Poemia

—Paulinha Cunha—