EU NÃO ME QUEBREI — EU VIREI TEMPESTADE
Eu tentei ser silêncio
quando o mundo gritava dentro de mim,
tentei caber no pequeno
quando meu peito era infinito demais pra existir assim.
Me disseram pra aceitar,
pra engolir seco, pra sorrir sem motivo,
mas ninguém nunca perguntou
o quanto eu precisei ser forte só pra continuar vivo.
Eu caminhei sobre espinhos
como se fossem flores raras,
escondi minhas cicatrizes
debaixo de mil palavras claras.
Mas havia um grito…
um grito preso na garganta,
daqueles que não pedem licença,
daqueles que não se encantam.
E ele cresceu.
Cresceu no silêncio das noites longas,
cresceu nas lágrimas que ninguém viu,
cresceu no peso dos dias vazios
e na dor que nunca sumiu.
Até que um dia…
eu não coube mais em mim.
Não era fraqueza —
era o começo do meu fim…
ou talvez…
o começo de tudo que eu nunca tive coragem de ser.
Porque eu não me quebrei —
eu me transformei.
Eu virei tempestade
depois de anos sendo calmaria,
virei raio cortando o céu
de quem duvidou da minha travessia.
Eu aprendi que o fundo do poço
não é o fim da história,
é só o lugar onde a gente decide
se vira poeira… ou memória.
E eu escolhi subir.
Com as mãos feridas,
com o coração cansado,
com a alma remendada
e o passado mal curado.
Subi mesmo sem forças,
mesmo sem ninguém pra acreditar,
porque às vezes o maior milagre
é simplesmente não parar.
Hoje eu não peço licença,
não diminuo minha luz,
não me escondo mais
nem carrego o que não me conduz.
Hoje eu sou tudo aquilo
que disseram que eu não seria,
sou a coragem que nasceu
no meio da covardia.
E se ainda duvidam de mim,
tudo bem… podem duvidar,
porque quem já sobreviveu ao próprio caos
não precisa mais provar.
Eu sou recomeço,
sou cicatriz que virou história,
sou verso que sangrou
mas nunca perdeu a memória.
E se a vida tentar me derrubar de novo,
que venha — eu já sei o caminho,
porque quem aprende a se reconstruir
nunca mais anda sozinho.
Eu não me perdi —
eu me encontrei no meio da dor,
e foi ali, no escuro,
que eu descobri o meu verdadeiro valor.
Então pode vir o mundo inteiro,
pode vir o medo, o fracasso, a queda,
porque agora eu sei:
eu sou maior que qualquer tempestade que me espera.
E se eu cair…
eu levanto mais forte.
Porque eu não nasci pra ser história triste —
eu nasci pra ser impacto,
pra ser marca,
pra ser mudança,
pra ser… impossível de ignorar.
—Marili Cunha—
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