Eu não superei você… Só aprendi a disfarçar melhor.
Há dias em que eu sorrio como se o passado não me doesse,
como se o teu nome não ecoasse entre meus silêncios,
como se o tempo tivesse sido gentil o suficiente
para apagar tudo o que em mim ainda insiste em lembrar você.
Mas a verdade…
é que eu só aprendi a esconder o que ainda arde.
Eu não te esqueci.
Eu só me tornei especialista em fingir esquecimento.
Carrego em mim uma calma que não é paz,
é controle.
É contenção.
É o esforço diário de não desmoronar
toda vez que alguma lembrança te atravessa em mim.
E você me atravessa.
Mesmo quando eu não deixo.
Mesmo quando eu juro que não deixo.
Você está nos detalhes mais silenciosos da minha rotina:
no café que esfria enquanto eu me perco em pensamentos,
na música que eu evito repetir porque ela ainda te traz de volta,
no jeito que certas noites insistem em me lembrar
que o amor não foi embora… só mudou de forma.
Eu sigo em frente… dizem.
Mas ninguém vê o quanto eu volto por dentro.
Volto em memórias que não pedem permissão,
volto em diálogos que nunca mais aconteceram,
volto em versões minhas
que ainda acreditam que você ficaria.
E o mais estranho é isso:
não é mais saudade de você…
é saudade do que eu era quando você ainda estava.
Eu me perdi em algum ponto entre o “nós” e o “fim”.
E desde então, tenho me encontrado em pedaços.
Aprendi a sorrir com habilidade,
a responder “estou bem” com perfeição,
a enganar o mundo…
menos a mim mesma.
Porque quando a noite chega,
e tudo silencia,
a verdade me visita sem bater na porta:
eu não superei você…
só aprendi a disfarçar melhor.
E talvez isso seja tudo o que restou de nós:
um amor que ainda vive,
mas que eu aprendi a esconder muito bem do mundo.
—Paulinha Cunha—
#SaudadeProfunda #AmorQueFica #PoesiaRomântica #CoraçãoFerido #SentimentosReais
P