Existência.
Eu aprendi a ouvir despedidas mesmo quando ninguém disse adeus
No intervalo entre uma resposta e outra, eu já imagino o abandono criando raízes
Tenho medo de precisar demais, tenho medo de nao ser lembrada
E então eu diminuo a voz, o riso, o desejo
Como se coubesse melhor em quem pode ir embora a qualquer momento
Meu corpo reconhece o abandono como reconhece um predador:
O coração dispara, a boca fecha, os olhos procuram saídas que não existem
Não é drama, é instinto
Como se, ao ser deixada,
Eu deixasse também
De existir.
B
Existência.