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Força Que Não Cede Eu nasci do barro e da tempestade, fui moldada entre o…

Força Que Não Cede

Eu nasci do barro e da tempestade,
fui moldada entre o silêncio e o grito,
e aprendi, desde cedo, a verdade:
que a dor também ensina o infinito.

Vieram ventos que quiseram me curvar,
vieram noites que juraram me apagar,
mas há algo em mim que não sabe se entregar —
é a raiz profunda que recusa secar.

Quantas vezes me disseram "não consegue",
quantas vezes me empurraram pro abismo,
e eu, com os pés sangrando, ainda segue
acreditando em mim mesma, no meu próprio cisma.

Porque a força que habita o meu peito
não nasceu pronta, não veio de presente —
foi forjada na queda, no erro, no defeito,
foi construída sendo, simplesmente, persistente.

Eu sou como o rio que encontra a pedra
e não para, apenas muda o seu caminho,
eu sou como a chama que mesmo na treva
insiste em arder, mesmo sozinha, mesmo sem ninho.

Já chorei o que ninguém viu,
já gritei em silêncio pelas madrugadas,
já fingi sorrisos quando tudo doía,
já fui forte segurando lágrimas guardadas.

Mas nunca, em nenhum momento, eu me quebrei
por completo — sempre sobrou um pedaço,
um fio de luz que eu mesma alimentei,
uma vontade de dar mais um passo.

Porque força não é nunca cair,
força é levantar mesmo sem ter certeza,
é continuar mesmo querendo desistir,
é transformar a ferida em realeza.

Eu sou feita de avós que resistiram,
de mães que choraram e ainda assim cuidaram,
de gerações que mesmo quando caíram
encontraram forças que nem elas esperavam.

Esse sangue corre forte em minhas veias,
essa herança não se apaga, não se cala,
e por isso, mesmo quando a vida me ensaia
quedas profundas, eu me ergo e não me abalo.

Não sou de aço, não sou de pedra fria,
sou feita de carne, de medo, de emoção,
mas dentro de mim existe uma poesia
que transforma cada dor em direção.

Direção pra frente, sempre pra frente,
mesmo que o passo seja pequeno e trêmulo,
mesmo que o caminho pareça ausente,
eu sigo, porque desistir não é meu título.

Quero ser exemplo pra quem ainda duvida
que é possível recomeçar depois do fim,
quero mostrar que mesmo a alma ferida
pode florescer e dizer: "ainda há mim".

Há mim em cada amanhecer que insisto,
há mim em cada lágrima que viro rio,
há mim em cada "não" que eu resisto,
há mim em cada vazio que eu preencho e desafio.

Sou a prova viva de que é possível,
de que dor não é sentença, é apenas passagem,
de que o coração, mesmo que sensível,
pode ser ao mesmo tempo abrigo e coragem.

E se um dia você me vir cansada,
não pense que eu cedi, que eu me rendi —
estarei apenas, por um instante, pausada,
juntando forças pra seguir, como sempre segui.

Porque dentro de mim mora uma certeza
que nenhuma tempestade consegue arrancar:
eu sou feita de força e de delicadeza,
e mesmo ferida, eu sei recomeçar.

Sou força que não cede, nem se cala,
sou luz que atravessa toda escuridão,
sou a palavra que mesmo quando falha,
encontra forças pra virar oração.

E se a vida insistir em me testar,
eu vou provar, de novo, quantas vezes for preciso,
que existe dentro de mim um lugar
onde a esperança nunca perde o seu sorriso.

—Paulinha Cunha—

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