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Fragmentos de Nós

Fragmentos de Nós

Em cada canto do silêncio
ecoam pedaços de nós que se perderam
entre olhares que não se encontraram
e palavras que ficaram presas no ar.

Carrego em mim fragmentos de sorrisos
que outrora eram nossos, inteiros,
mas que agora se quebram
como vidro sobre chão de lembranças.

Te procuro nas madrugadas vazias,
nos cafés que nunca tomamos juntos,
nas músicas que tocaram em dias de sol
e que agora ressoam apenas em eco.

Entre nós, houve fogo e frio,
abraços que aqueciam e afastavam,
promessas que se desfizeram
como fumaça na brisa do tempo.

E ainda assim, insisto em te achar
nos detalhes pequenos, nos gestos tímidos,
nas memórias que se recusam a morrer,
nos fragmentos de nós que insistem em brilhar.

Cada pedaço teu em mim é uma chama,
cada lembrança nossa, uma cicatriz dourada,
porque o que fomos nunca se apaga,
mesmo quando se fragmenta em silêncio.

E ao olhar para trás, vejo que somos
um mosaico de momentos partidos,
um quebra-cabeça de afetos dispersos,
uma história incompleta que ainda se escreve
em versos, suspiros e lágrimas contidas.

Talvez o amor seja isso:
fragmentos de nós espalhados pelo mundo,
à espera de mãos que saibam juntar
o que se quebrou,
o que se perdeu,
o que se amou.

E mesmo em pedaços, somos inteiros,
pois cada fragmento carrega
um pouco do que fomos,
um pouco do que ainda somos.

Porque no fim, cada fragmento de nós
é um universo de memórias,
um retrato do que não se pode esquecer,
uma prova de que, apesar de tudo,
nós existimos, intensamente,
mesmo quando fragmentados.

—Paulinha Cunha—

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