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FRAGMENTOS DO AMANHÃ

FRAGMENTOS DO AMANHÃ
No silêncio das horas, busco pedaços
De um tempo que ainda não chegou,
Fragmentos do amanhã que dançam
Entre os meus sonhos e o meu medo.

Vejo reflexos de promessas não ditas,
Entre as esquinas do ontem e do hoje,
Onde a saudade é um fio de luz
Que corta a escuridão da minha alma.

Há memórias que se misturam com o vento,
Rostos que sorriem e desaparecem,
Palavras que ficaram presas nos lábios,
E abraços que nunca encontrei.

No horizonte, o céu sussurra segredos,
E cada estrela é um fragmento de esperança,
Brilhando para aqueles que ainda acreditam
Que amanhã pode ser mais do que ontem.

Caminho por ruas vazias de certezas,
Onde o eco dos meus passos me acompanha,
E cada passo é um verso perdido
Que tenta se tornar poesia.

Se fecho os olhos, vejo você
Entre sombras e luzes difusas,
Como um reflexo que insiste em ficar
Mesmo quando o mundo insiste em ir embora.

O amanhã, esse escultor silencioso,
Molda meus medos, minhas alegrias,
E em cada curva do tempo, me devolve
Um pedaço de mim que eu nem sabia existir.

E ainda que o mundo seja frio e apressado,
E que os dias passem como folhas levadas pelo vento,
Guardo os fragmentos do amanhã no peito,
Como quem guarda estrelas em uma caixa de vidro.

Pois sei que cada fragmento é uma promessa,
Cada silêncio, uma história por escrever,
E que o amanhã, mesmo incerto e distante,
É o lugar onde minhas lágrimas podem se transformar em flores.

Então sigo, fragmentada e inteira ao mesmo tempo,
Entre o ontem que me ensinou a esperar,
O hoje que me desafia a viver,
E o amanhã que me chama para sonhar novamente.

Porque no fim, cada fragmento do amanhã
É um pedaço do meu próprio coração,
E cada coração que pulsa por dentro de mim
É a certeza de que ainda há esperança.

—Paulinha Cunha—

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