LEMBRANÇAS EM CHAMAS
As lembranças chegam sem avisar,como brasas acesas no silêncio da alma,
consumindo cada canto do meu peito,
incendiando memórias que eu pensei que estavam apagadas.
Vejo teu rosto nos reflexos da madrugada,
nos cantos escuros do meu quarto,
na chuva que insiste em bater na janela
como se também sentisse tua falta.
Cada riso teu ecoa como faísca,
cada palavra esquecida se transforma em fogo,
e eu, espectadora desse incêndio,
sinto queimar em mim o que nunca se apagou.
Não há refúgio nem abrigo seguro,
apenas o calor intenso das lembranças,
que dançam como chamas indomáveis,
desenhando teu nome em cada sombra,
em cada suspiro que ainda me prende a ti.
E eu me perco, sorrindo e chorando,
entre o que fomos e o que nunca será mais,
entre o amor que ficou e o silêncio que resta,
entre a chama da saudade e o frio da ausência.
Tento apagar o fogo com lágrimas,
mas cada gota é combustível,
cada lembrança, vento que atiça a brasa,
cada memória tua, incêndio que me consome inteira.
E ainda assim, mesmo entre as cinzas,
me pego buscando teu cheiro no ar,
teu sorriso nas estrelas,
teu toque no vento,
porque as lembranças em chamas
são a prova viva de que ainda te amo.
Não é dor, é poesia que arde,
não é sofrimento, é chama que ilumina,
não é esquecimento, é eternidade
que insiste em se repetir
nos corredores silenciosos do meu coração.
Que essas chamas me guiem,
que transformem saudade em fogo criativo,
que eu possa, mesmo que em pedaços,
sentir a intensidade de nós,
de tudo o que fomos, de tudo o que seremos
nas lembranças que ardem e não se apagam.
—Paulinha Cunha—
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