Luz no Meu Abismo
Sinto o frio da noite que insiste em me abraçar,
um eco de silêncios que ninguém ousa escutar.
Meus pensamentos dançam em sombras densas,
labirintos do medo, paredes que não têm portas.
Mas mesmo no fundo, onde tudo parece quebrado,
uma faísca tênue se recusa a ser apagada.
É a luz que se infiltra entre meus escombros,
uma chama que sussurra: ainda há caminho.
Meu coração, cansado de tantas quedas,
aprende a bater entre as fissuras da dor.
Cada lágrima derramada é um rio de força,
uma corrente que me leva à superfície esquecida.
Sinto-me em queda, mas há mãos invisíveis,
tocando minha alma, guiando meus passos incertos.
O abismo parece eterno, mas vejo a centelha,
o reflexo do céu que insiste em me alcançar.
E então respiro, apesar do peso das correntes,
como se cada suspiro fosse um renascimento.
Meu medo não me define, minha solidão não me prende,
pois há luz mesmo onde o escuro reina absoluto.
As estrelas, cúmplices silenciosas da minha jornada,
sussurram segredos de coragem e resistência.
Meu espírito se ergue, mesmo entre escombros e dores,
transformando a dor em arte, o medo em poesia.
E no abismo mais profundo, encontro meu brilho,
uma luz que não se apaga, que não se curva.
Sou feita de quedas, mas também de recomeços,
uma chama viva que dança entre minhas próprias sombras.
Cada passo meu é uma vitória sobre o silêncio,
cada palavra minha é um farol na escuridão.
E mesmo que o mundo tente apagar minha essência,
sei que há luz suficiente para incendiar meu coração.
Porque no fim, o abismo não é prisão,
é solo fértil para a coragem florescer.
E eu, mesmo frágil, mesmo ferida,
sou luz no meu próprio abismo, sou infinita.
—Paulinha Cunha—
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