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Manual de Como NÃO atirar.

Manual de Como NÃO atirar.
Tem algo tão mágico na vergonha inerente de existir
Qualquer palavra que sai da minha boca pode voltar como uma bala perdida
E só me resta rir, parado pensando em como sou esquisito

Mas eu não consigo evitar
Eu sempre fui incoerentemente peculiar
Tímido demais pra deixar alguém me conhecer de verdade — mas você tem que saber o meu nome
Não saber é maldade

Fechado demais pra conseguir me apaixonar
Romântico demais pro meu próprio bem-estar

Então eu durmo acordado, perdido e perambulante entre salas de aula
Eu vivo entre sonhos:
me deito como cowboy e acordo como pirata

Sou uma decepção em forma de distração
Para garotas que cortam as próprias falas.

Entediante demais pra ser seu futuro namorado,
interessante demais pra ser ignorado
Um pouco de tudo e muito de nada

Tem algo tão incrível na angústia de ser almejado
Qualquer expectativa é como uma xícara quebrada
E se você não pode usá-la, então ela não te agrada

Tem algo tão encantador nessa vergonha inevitável
Como se repensar meus erros e constrangimentos me tornasse mais amável
Como se tudo isso me fizesse um humano mais reparável

Mas as balas perdidas me atingem uma hora
E eu percebo que não consegui disfarçar
Mais pessoas vêm enquanto outras vão embora
Porque mais cedo ou mais tarde, todas conseguem notar

Que minhas balas só são perdidas
Porque até hoje eu não aprendi a atirar.
Manual de Como NÃO atirar.