Meu Amor Primeiro
Há memórias que não envelhecem, apenas aprendem a respirar mais fundo dentro da gente…
E entre todas as lembranças que me habitam, existe uma que nunca perdeu a cor, nem o som, nem o tremor do coração.
Meu amor primeiro não foi apenas alguém.
Foi um instante que decidiu morar em mim para sempre.
Foi o começo de tudo aquilo que eu ainda nem sabia nomear.
Eu me lembro do jeito como o mundo ficava mais lento quando você aparecia,
como se o tempo tivesse respeito pelo que nascia entre nós.
Não era pressa, não era fuga… era descoberta.
O meu olhar te encontrava antes mesmo de eu perceber.
E havia algo em você que parecia destino disfarçado de coincidência.
Ou talvez fosse o contrário… talvez eu fosse a coincidência que te esperava.
Eu não sabia amar direito,
mas você me ensinava sem dizer uma palavra.
Bastava a presença, bastava o silêncio compartilhado,
bastava o simples fato de existir você perto de mim.
E mesmo que a vida tenha seguido caminhos diferentes,
mesmo que o tempo tenha aberto portas e fechado outras,
existe uma parte de mim que ainda sabe exatamente onde você mora dentro do meu coração.
Não é saudade que machuca…
é saudade que acaricia.
Porque o primeiro amor não termina, ele se transforma.
Ele vira poesia no olhar,
vira lembrança no vento,
vira aquela sensação estranha de que algo bonito aconteceu antes de tudo ficar complicado demais.
Eu não te prendo em mim…
eu te guardo.
Como quem guarda uma carta nunca enviada,
como quem protege um segredo que o tempo não conseguiu apagar.
E se um dia o mundo perguntar o que foi você na minha história…
eu vou sorrir em silêncio.
Porque algumas respostas não se dizem.
Só se sentem.
E o primeiro amor…
ah, o primeiro amor nunca vai embora de verdade.
Ele apenas aprende a morar dentro da gente de um jeito mais silencioso.
—Paulinha Cunha—
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