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Nas Entrelinhas do Destino

Nas Entrelinhas do Destino

Entre as sombras do tempo e o brilho do acaso,

sinto meus passos se perderem em caminhos que não escolhi,

mas que, silenciosos, me chamam,

me puxam pelas mãos invisíveis de um destino antigo,

como se cada encontro fosse a assinatura de uma promessa

que meu coração mal consegue lembrar.

No eco das memórias, ouço risos que nunca foram meus

e lágrimas que choraram antes de eu nascer.

Há sinais ocultos nas nuvens,

há segredos nas curvas da rua,

e há respostas nos olhares que cruzam os meus

sem jamais tocar minha pele.

Entre um suspiro e outro, aprendo que o amor

não é sempre o que sonhamos,

mas aquilo que nos transforma,

nos dobra, nos ensina a dançar mesmo no vazio,

mesmo quando o silêncio é a única melodia.

Cada decisão, um nó; cada escolha, um fio

que tece o tapete da minha vida,

colorido de dores e alegrias,

de partidas e reencontros,

de partidas que nunca quis e de chegadas inesperadas.

E ainda assim, continuo caminhando,

como quem lê entrelinhas de um livro antigo,

onde cada frase esconde outro universo,

onde cada ponto final é apenas o começo

de algo que ainda nem compreendo.

Às vezes, tropeço nas palavras não ditas,

nas promessas quebradas e nos olhares que evitei,

mas sempre encontro beleza na imperfeição,

como quem descobre um jardim secreto

escondido entre os escombros do tempo.

O destino não me pertence, mas me observa,

sussurra histórias nos ventos que atravessam a cidade,

faz-me crer que não há acaso,

que tudo é dança, tudo é movimento,

tudo é aprendizado, mesmo na dor mais profunda.

E sigo, entre sombras e luzes,

entre erros e acertos,

como quem caminha nas entrelinhas do próprio destino,

com os olhos atentos,

com o coração aberto,

esperando, sempre esperando,

o momento em que tudo fará sentido,

mesmo que apenas por um instante,

mesmo que apenas para mim.

Porque, no fim, talvez seja isso:

o destino não é um lugar,

não é um nome nem uma face,

é apenas o fio invisível que nos conecta a nós mesmos

e nos lembra que, mesmo perdidos,

estamos exatamente onde precisamos estar.

—Paulinha Cunha—

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