🌿 No Fundo de Mim, Encontrei Paz 🌿
Passei anos procurando respostas
em lugares onde o silêncio nunca morava.
Corri atrás de pessoas,
de promessas,
de abraços temporários
e de palavras que pareciam eternas,
mas que desapareceram ao primeiro vento.
Passei madrugadas inteiras
tentando entender por que algumas ausências
doem mais do que certas presenças.
Passei dias me perguntando
o que havia de errado comigo,
por que alguns amores chegavam
como tempestades
e partiam deixando destroços.
Carreguei saudades que ninguém via.
Sorri enquanto o peito chorava.
Fingi estar inteira
quando, na verdade,
eu era feita de pedaços espalhados
pelos caminhos que percorri.
Houve noites em que conversei com a escuridão.
Noites em que o travesseiro
foi o único que ouviu minhas confissões.
Noites em que a saudade tinha nome,
rosto,
voz
e endereço dentro da alma.
E como doÃa...
DoÃa lembrar de quem prometeu ficar.
DoÃa lembrar dos sonhos construÃdos
com mãos que já não seguravam as minhas.
DoÃa perceber
que algumas histórias acabam
mesmo quando o coração insiste
em escrever novos capÃtulos.
Mas o tempo...
Ah, o tempo.
Esse mestre silencioso
que ensina sem dizer uma única palavra.
Foi ele quem me mostrou
que certas despedidas
não acontecem para destruir.
Acontecem para libertar.
Foi ele quem me ensinou
que nem toda perda é castigo.
Às vezes,
é apenas a vida reorganizando caminhos.
E então,
quando já não esperava encontrar nada,
encontrei a mim mesma.
Não foi de repente.
Não houve fogos de artifÃcio.
Não houve milagres.
Foi um reencontro lento.
Como quem volta para casa
depois de uma longa viagem.
Comecei a escutar meu próprio coração.
Comecei a entender minhas cicatrizes.
Comecei a abraçar minhas imperfeições.
E, aos poucos,
a dor deixou de ser moradia.
Virou lembrança.
As lágrimas deixaram de ser prisão.
Viraram aprendizado.
As ausências deixaram de ser feridas abertas.
Viraram capÃtulos encerrados.
Descobri que a paz
não estava nas pessoas que partiram.
Não estava nas respostas que eu buscava.
Não estava no amor que não voltou.
A paz estava escondida
no lugar onde eu menos procurava.
Dentro de mim.
No fundo de mim.
Ali onde os medos moravam.
Ali onde as inseguranças gritavam.
Ali onde as saudades faziam morada.
Foi exatamente ali
que encontrei uma força que desconhecia.
Uma força que não fazia barulho.
Uma força que não precisava provar nada.
Uma força tranquila.
Serena.
Bonita.
Real.
E então percebi
que a verdadeira cura
não acontece quando esquecemos alguém.
Acontece quando lembramos
sem sentir que estamos morrendo por dentro.
Percebi que amadurecer
é aprender a agradecer
até pelas dores.
Porque algumas delas
nos transformam em quem somos.
Hoje ainda sinto saudades.
Existem memórias que continuam visitando meus pensamentos.
Existem nomes que ainda fazem eco no coração.
Mas já não existe guerra.
Já não existe desespero.
Já não existe a necessidade de voltar
para lugares que me machucaram.
Hoje existe paz.
Uma paz construÃda entre lágrimas.
Uma paz moldada pelas perdas.
Uma paz que nasceu da coragem
de permanecer comigo
quando todos os outros foram embora.
E se alguém me perguntasse
onde encontrei essa paz,
eu responderia sem hesitar:
Não foi no mundo.
Não foi nos outros.
Não foi nos amores que passaram.
Foi no silêncio das minhas próprias reconstruções.
Foi nas minhas quedas.
Foi nas minhas lágrimas.
Foi nas minhas cicatrizes.
Foi nas minhas recomeços.
Foi no fundo de mim.
E foi lá,
onde antes existia dor,
que finalmente floresceu a paz.
—Paulinha Cunha—
#Poesia #Reflexão #Autoconhecimento #PazInterior #Poemia
P