No Fundo do Meu Eu
No fundo do meu eu, onde o silêncio é sussurro,
há uma chuva que nunca para,
gotas que escorrem pelos corredores da alma,
banhando memórias que eu tentei esquecer.
Ali, no escuro, vivem minhas verdades nuas,
as cicatrizes que carrego como medalhas de guerra,
as promessas quebradas que sussurram meu nome,
e os amores que entraram e saíram,
como ventos que não deixam rastro.
No fundo do meu eu, há uma chama que insiste em arder,
mesmo quando tudo parece cinza,
mesmo quando o mundo tenta me dobrar.
Ela é teimosa, inquieta, insone,
como se dançasse com os fantasmas do passado.
Há rios de saudade que correm entre meus dedos,
e mares de sonhos que nunca se aquietam.
No fundo do meu eu, eu me perco
para me encontrar,
eu me destruo para me reconstruir,
eu grito para ouvir minha própria voz.
Há uma biblioteca de sentimentos esquecidos,
onde cada página é uma lembrança dolorida,
mas também um poema,
uma melodia que ninguém escuta,
uma dança que só meu coração conhece.
No fundo do meu eu, habita o amor que nunca se cala,
o amor por mim, o amor pelos outros,
o amor que feriu e curou,
o amor que prometeu mundos
e entregou constelações de estrelas apagadas.
E mesmo assim, no fundo do meu eu,
há espaço para o riso, para o nascer do sol,
para a esperança que insiste, silenciosa,
em me lembrar que cada sombra tem luz,
cada ferida tem cura,
cada adeus esconde um novo olá.
No fundo do meu eu, sou infinita,
sou caos e calma,
sou silêncio e grito,
sou tudo o que fui,
tudo o que sou,
tudo o que ainda serei.
E se alguém ousar mergulhar comigo,
vai encontrar labirintos de sentimentos,
vai sentir o peso e a leveza de um universo inteiro,
vai se perder e se achar
no fundo do meu eu.
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—Paulinha Cunha—