No meu tempo de Menina
No meu tempo de criança,
eu sonhava com um amor — mas não qualquer amor,
queria aquele amor recíproco,
não dos homens perfeitos das novelas mexicanas
(hahaha, quem nunca, né?).
Eu queria um amor de verdade,
um que coubesse no peito,
um que fosse inteiro.
Imaginava construir uma família,
igual às das minhas amigas,
e sempre me comparava,
como se a felicidade delas fosse um mapa
que eu precisava seguir.
Mas quando chegou a minha vez
de sentir o coração acelerar por um amor real,
eu já tinha me machucado tanto…
Tanto que virei gelo por dentro,
me escondi atrás de uma frieza
que só quem conhece a dor entende.
E agora, com medo de que ele desista de mim,
fico pensando se alguém consegue amar
quem às vezes se perde no próprio caos.
Sou difícil de lidar, eu sei —
mas estou tentando,
respirando fundo,
dizendo baixinho: que Deus me ajude,
porque abrir o coração também é coragem.
Talvez seja a hora
de colocar em prática tudo que aprendi
em anos de Doramas e novelas mexicanas:
confiar, deixar a alma florescer,
e acreditar que até quem já sofreu demais
merece — e pode viver —
um amor recíproco.
G