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No Rastro da Saudade

No Rastro da Saudade

No rastro da saudade eu caminho,
pisando em lembranças que o tempo não levou,
em cada esquina da memória encontro teu sorriso,
ecoando silencioso, mas presente,
como vento que não se vê, mas se sente.

As ruas da minha alma se enchem de teus gestos,
os passos que demos juntos ainda dançam
sobre o chão frio da lembrança,
e cada sombra que se alonga
me sussurra teu nome com ternura.

O sol cai lento, tingindo de dourado
o rosto de quem já não está,
mas que habita meu peito,
como um quadro imenso que nunca se apaga,
como uma canção que insiste em tocar
mesmo quando a vida muda a melodia.

No rastro da saudade eu encontro o infinito,
em cada lágrima, um oceano;
em cada suspiro, uma estrela que brilha
para lembrar que estivemos vivos,
que amamos sem medidas,
que fomos inteiros, ainda que separados.

E a noite chega, silenciosa e cúmplice,
trazendo de volta vozes antigas,
aquelas que falavam sem palavras,
que amavam sem promessas,
que partiam sem adeus, mas deixavam
um perfume eterno na pele do tempo.

No rastro da saudade eu aprendo a caminhar só,
mas não sozinho,
porque tuas lembranças são bússola e abrigo,
e cada memória é um abraço que me aquece
quando o mundo parece frio demais,
quando o coração insiste em esquecer
o ritmo do teu corpo junto ao meu.

E assim sigo, entre o ontem e o amanhã,
entre o que foi e o que ainda vive em mim,
porque saudade é ponte e ferida,
é dor que ensina, é amor que não morre,
é o rastro que deixaste e que eu guardo,
como quem guarda luz dentro da mão,
como quem segura infinito sem nunca tocar.

No rastro da saudade, eu me perco e me encontro,
aprendo a amar de novo o que já se foi,
aprendo que tudo que parte deixa rastro,
e que a beleza da vida é caminhar sobre ele,
sentindo o passado, vivendo o presente,
e acreditando que em algum lugar
nossos corações ainda se reconhecem.

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—Paulinha Cunha—