No Ritmo da Saudade
No compasso silencioso das horas,
sinto tua ausência como vento que não passa,
como chuva que insiste em cair
sobre os meus pensamentos mais profundos.
Cada lembrança tua é um perfume antigo,
que desperta sorrisos e lágrimas ao mesmo tempo,
como se meu coração dançasse
entre o querer e o perder,
entre o abraço que nunca se dá
e o beijo que só existe na memória.
Ah, saudade…
como você me habita,
como uma canção que nunca termina,
um eco que se repete na alma,
um fio invisível que me prende a ti
mesmo quando o mundo diz para soltar.
Relembro teus olhos,
como luas refletidas na imensidão do meu peito,
e a cada piscada, vejo teu sorriso
brilhar como estrela que insiste em me guiar.
Mas a noite cai, e tua ausência se amplia,
e eu me perco nas ruas da solidão,
procurando teus passos entre sombras e lembranças.
E eu me pergunto,
será que sentes o mesmo?
Se, em teus pensamentos, há um canto meu
que ecoa no silêncio da tua vida?
Será que minha falta é dor, ou apenas saudade?
Um sentimento doce-amargo,
como vinho que embriaga e aquece
mas deixa o gosto da despedida.
Meu coração, então, aprende a dançar sozinho,
ao ritmo da saudade que não cessa,
aprende a abraçar a ausência,
a beijar o espaço que teu corpo ocupava,
a escrever teu nome nas entrelinhas do vento,
esperando que ele chegue até ti
como se carregasse meu suspiro mais profundo.
E mesmo que o tempo leve tudo,
mesmo que o destino mude nossos caminhos,
essa saudade será eterna,
como um rio que nunca seca,
como um canto que nunca morre,
como meu amor que insiste em existir,
mesmo no silêncio da tua ausência.
Ah… se ao menos eu pudesse te tocar,
te sentir aqui,
mesmo que fosse por um instante,
talvez a saudade se tornasse abraço,
talvez o vazio se tornasse completo.
Mas até lá, danço com a lembrança,
sinto teu perfume nos sonhos,
escuto tua voz nos suspiros,
e respiro o que restou de ti em mim.
Saudade, doce prisão do coração,
ritmo lento e hipnotizante,
ensina-me a viver com teu eco,
a amar com tua lembrança,
a sorrir com tua memória,
a dançar no compasso do que nunca será meu
e, ainda assim, será tudo que tenho.
—Paulinha Cunha—
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