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No Silêncio da Saudade No silêncio da saudade, ecoam lembranças Como folhas…

No Silêncio da Saudade

No silêncio da saudade, ecoam lembranças
Como folhas secas levadas pelo vento
Sinto teu riso perdido entre as nuvens
E o toque de tuas mãos que já não encontro.

Cada canto da casa guarda teu perfume,
Cada sombra desenha teu rosto no escuro
E mesmo entre risos e dias iluminados,
O vazio insiste em sussurrar teu nome.

Procuro em cada estrela, tua presença
E no brilho da lua, tua luz refletida
Mas tudo que recebo é o frio da ausência
E o doce amargor de uma memória vivida.

Ah, saudade, que me abraça sem tocar
Que me beija sem lábios, sem calor
Que me prende em labirintos de lembrança
E faz do meu peito teu eterno morador.

Os dias passam lentos, quase parados
Enquanto meu coração insiste em te procurar
Nas esquinas, nos cafés, nas ruas desertas
E até no silêncio do vento, eu tento escutar.

Teu riso, teu cheiro, teu jeito de falar
Tudo me persegue como sombra amiga e cruel
E eu me vejo falando contigo no escuro
Como quem tenta arrancar a dor do papel.

Ah, quantas cartas escrevi em pensamento,
Quantos sorrisos guardei pra ti em segredo
E cada lágrima caída é um oceano
Que navega na saudade, neste meu enredo.

Se eu pudesse te buscar no tempo
Se eu pudesse roubar-te do passado
Traria o brilho de teus olhos pra mim
E faria do silêncio um jardim encantado.

Mas o silêncio é rei e a saudade é rainha
E eu, apenas poeta perdido em minhas linhas
Que inventa abraços, inventa encontros
Para preencher os vazios, as distâncias, as espinhas.

Ainda assim, guardo cada pedaço teu
Mesmo que a vida nos tenha separado
Pois no silêncio da saudade eu te encontro
E te abraço na memória, eternamente amado.

E assim sigo, entre lembranças e suspiros
Com a saudade como única companhia fiel
E no silêncio que dói e consola
Teu nome é poesia, teu amor, meu céu.


—Paulinha Cunha—

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