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No Silêncio, Encontrei-me

No Silêncio, Encontrei-me

No silêncio, encontrei-me…
Não naquele silêncio vazio,
Mas no que pulsa entre um pensamento e outro,
No intervalo invisível onde a alma respira
E o mundo, por um instante, deixa de exigir respostas.

Foi ali,
Entre o ruído que cessou
E a pressa que se dissolveu,
Que ouvi minha própria voz
Sem interrupções, sem máscaras, sem medo.

No silêncio, encontrei pedaços meus
Que eu havia deixado espalhados
Em conversas interrompidas,
Em despedidas mal resolvidas,
Em amores que me tocaram sem jamais me compreender.

Cada fragmento falava baixo,
Como quem teme ser ignorado outra vez,
E eu… pela primeira vez… escutei.

Escutei minhas dores
Sem tentar silenciá-las,
Meus medos
Sem julgá-los,
Minhas falhas
Sem me punir por elas.

No silêncio, descobri
Que não sou feita apenas de força,
Mas também de pausas,
De quedas,
De recomeços silenciosos que ninguém vê.

Descobri que minha essência
Não grita,
Ela sussurra.

E quantas vezes eu ignorei
O sussurro da minha própria verdade
Para atender aos gritos do mundo?

No silêncio, parei de correr.
E ao parar, percebi
Que não estava atrasada —
Estava apenas distante de mim.

Então me abracei
Com a delicadeza que sempre ofereci aos outros
E raramente a mim mesma.

Perdoei versões minhas
Que só sabiam sobreviver,
Amei cicatrizes
Que eu antes escondia,
E agradeci cada lágrima
Que me ensinou a sentir.

No silêncio, floresci.

Não como uma explosão,
Mas como uma raiz que cresce no escuro,
Firme, profunda, invisível —
Até que um dia…
Rompe a superfície e se torna vida.

Aprendi que o silêncio não é ausência,
É presença pura.
É o lugar onde tudo começa
E onde tudo se transforma.

Ali,
Sem aplausos,
Sem expectativas,
Sem o peso de ser quem esperavam que eu fosse…

Eu fui quem eu sou.

E isso…
Foi mais do que suficiente.

Agora, carrego o silêncio comigo,
Não como vazio,
Mas como abrigo.

Porque foi nele
Que finalmente me encontrei
Inteira,
Imperfeita,
Viva.

E nunca mais me perdi.

—Paulinha Cunha—

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