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Noite de Segredos

Noite de Segredos

Na penumbra da noite, os silêncios se encontram,
e os segredos, como sombras, dançam sem dono.
O vento sussurra histórias que ninguém ousa ouvir,
e cada estrela parece guardar um segredo antigo,
um segredo que só se revela a quem sabe escutar com o coração.

A lua observa, cúmplice e silenciosa,
os passos que se perdem entre os sonhos e as ruas vazias.
Há vozes que se escondem nos becos da alma,
suspiros que se confundem com o vento,
e lágrimas que brilham discretas,
como pequenas lâmpadas de quem não quer ser visto.

No coração da noite, o tempo se dissolve,
as horas deixam de ser contadas,
e tudo que resta é o peso daquilo que não se fala.
Segredos que carregamos como pedras preciosas,
ou como feridas abertas, que só o escuro ousa tocar.

Cada sombra traz consigo lembranças proibidas,
amores que se perderam entre portas fechadas,
promessas que nunca foram cumpridas,
e desejos que ardem silenciosos,
como brasas escondidas sob cinzas frias.

Há uma beleza sombria em cada segredo da noite,
uma poesia que nasce entre o medo e a esperança,
e mesmo que ninguém veja, mesmo que ninguém saiba,
eles existem, silenciosos e eternos,
guardados no âmago da alma que ousou sentir.

Caminho por ruas que só conhecem meus passos,
ecoando memórias que o dia tenta apagar.
E cada porta fechada, cada janela entreaberta,
me conta fragmentos de vidas que nunca vivemos,
e sonhos que se perderam na curva da madrugada.

No silêncio, meus olhos buscam respostas,
mas só encontram o reflexo de minha própria sombra.
E assim, entre suspiros e sussurros,
descubro que os segredos da noite não são apenas meus,
são de todos que já amaram, sofreram,
e deixaram um pedaço de si em cada canto escuro.

A madrugada avança, lenta, indiferente,
e eu aprendo que há segredos que não se podem contar,
porque a beleza deles está justamente
no mistério que carregam,
na emoção que provocam,
e na verdade que só a noite inteira pode testemunhar.

Noite de segredos, cúmplice de almas inquietas,
me ensina a escutar o invisível,
a sentir o que não se vê,
e a amar o que só se revela quando a luz se cala.
Pois cada segredo guardado é um tesouro silencioso,
e cada silêncio é um poema que só a noite sabe escrever.

—Paulinha Cunha—

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