O Abraço do Vento
Sinto o vento sussurrar histórias que ninguém mais ouve,levando consigo segredos antigos,
memórias que dançam entre folhas e árvores,
entre os passos apressados da cidade,
entre corações que se perdem e se encontram.
O vento, esse viajante silencioso,
me traz lembranças de abraços que ficaram na memória,
de mãos que se soltaram, de beijos que se apagaram
como nuvens ao entardecer.
E mesmo distante, ele me envolve,
como se quisesse dizer que tudo passa,
mas que tudo deixa seu rastro de ternura e dor.
Há dias em que o vento me abraça com força,
levanta meus cabelos, remexe minha alma,
como se quisesse acordar cada emoção adormecida.
É abraço sem toque, é carinho sem voz,
é um consolo que vem do infinito,
é o mundo dizendo que estou viva
mesmo quando o coração insiste em chorar.
O vento me leva a lugares que meus pés não alcançam,
a paisagens de memórias e sonhos,
onde o impossível parece possível,
onde o silêncio fala mais alto que qualquer palavra.
E nesse abraço invisível, aprendo a deixar ir,
aprendo que não posso segurar tudo,
mas posso sentir a beleza de cada instante
como se fosse eterno.
Ele carrega perfumes de flores distantes,
o cheiro de mares que jamais toquei,
o frio das montanhas, o calor do deserto,
o perfume de alguém que amei sem nunca dizer.
E me envolve numa dança invisível,
me fazendo flutuar entre ontem e amanhã,
entre saudade e esperança,
entre lágrimas e sorrisos que se confundem.
O vento me ensina que amar é soltar,
que abraçar é sentir sem possuir,
que a liberdade é a maior forma de carinho.
E mesmo que o mundo tente me quebrar,
mesmo que a vida me arraste por tempestades,
o abraço do vento me lembra:
a força está na leveza,
a coragem está na entrega,
a beleza está em sentir sem medo.
Quando fecho os olhos, ele está lá,
dançando pelos meus cabelos,
soprando minhas dores,
acariciando minhas esperanças,
levando embora o que já não serve,
trazendo o que ainda posso sonhar.
E assim, entre um suspiro e outro,
entre lembranças e promessas não ditas,
aprendo a viver com ele:
o abraço do vento que nunca prende,
o abraço do vento que nunca julga,
o abraço do vento que me faz inteira,
mesmo que por instantes,
mesmo que só na brisa que me toca.
Porque no fim, não há nada mais verdadeiro
que se deixar levar por aquilo que não se vê,
que se deixar abraçar pelo que não se segura,
que se abrir ao mundo e ao invisível,
e sentir que, mesmo sem toque,
o amor está em cada sopro de vida.
E eu sigo, com o vento como confidente,
meu abraço invisível no infinito,
meu guia silencioso, meu refúgio e minha liberdade,
aprendendo, a cada instante,
que o vento não leva apenas folhas,
mas também leva e traz o coração.
—Paulinha Cunha—
#OAbraçoDoVento #PoesiaQueToca #SentimentosAoVento #Poemia #PaulinhaCunha