O Abraço Que a Vida Esqueceu de Dar
Às vezes a gente acorda com o coração pesado,
como se a alma carregasse o mundo inteiro nas costas,
e ninguém percebesse o quanto dói apenas existir.
A gente sorri, conversa, segue a vida…
mas por dentro existem tempestades silenciosas
e ondas que insistem em tocar lugares
que já tentamos esquecer.
Tem dias em que o peito grita por um abraço,
não desses rápidos e distraídos,
mas aquele abraço demorado,
que parece dizer sem palavras:
“Eu estou aqui, e você não precisa ser forte hoje.”
Porque nem sempre a gente quer conselhos,
nem sempre a gente quer respostas —
às vezes tudo o que queremos
é um pouco de colo
e alguém que veja além do sorriso treinado.
A vida ensina, mas também machuca.
Ela mostra caminhos, mas também confunde.
E no meio disso tudo,
vamos juntando pedaços de esperança
para continuar acreditando
que dias bonitos ainda vão chegar.
E chegam.
Chegam quando encontramos pessoas de alma leve,
que nos escutam sem pressa,
que respeitam nossas pausas,
que enxugam nossas lágrimas
sem nos cobrar sorrisos.
Chegam quando percebemos
que cada dor também nos tornou mais humanos,
mais sensíveis,
mais capazes de compreender o outro.
Porque crescer nem sempre é sobre vencer,
muitas vezes é sobre resistir.
É sobre levantar mesmo cansado,
perdoar mesmo doendo,
amar mesmo com medo,
e seguir mesmo sem garantia nenhuma.
E um dia — sem aviso —
o coração entende
que não precisa ser perfeito para ser digno de amor.
Que não precisa fingir força para merecer cuidado.
Que ser verdadeiro sempre vale a pena.
Então que a gente continue,
mesmo quando o caminho pesar.
Que a gente sinta, chore, respire, recomece…
E que nunca falte aquele abraço sincero,
o abraço que cura,
o abraço que a vida, por descuido,
esqueceu de dar.
Porque no fundo,
todo mundo só quer encontrar um lugar
onde a alma possa descansar um pouco
sem precisar explicar nada.
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