V

O aleatório.

O aleatório.

Tudo que vejo é um símbolo, todo símbolo é uma ponte e um jogo do qual procuro domina-lo.

Não como se domina e torna-se um título,

mas o tipo de domínio que você o abandona e ainda assim o usa positivamente.

Como um aleatório que vem e pergunta;

- Ah, você é o cara do símbolo né, faz um para mim.

E eu diria:- você mesmo é o símbolo, vindo lembrar-me de que a prática dele é necessária e que embora haja independência dele, sempre é útil, utiliza-lo é ainda mais útil, pois tem o acento do propósito.

É muito gentil da sua parte abordar-me no dia de hoje como símbolo e lembrar-me que além do símbolo tenho também o propósito dele para ser usado.

E o aleatório sorri da figura como quem tem um vislumbre de uma verdade esquecida, seus olhos ganham um foco concentrado e ele me dá um aceno vigoroso, como se saber que me lembrou de algo importante para mim e me ajudasse com isso, tivesse lembrado de algo ainda mais importante e vital para ele.

Apertamos as mãos numa fraternidade sem anúncio, tenho a sensação de que esse aperto de mão tenha concluído um símbolo ainda maior e espontâneo que só pode ser atribuído a interação que tivemos.

Nos tornamos o símbolo do encontro casual e do coletivo, ele desce a rua sorridente, grande, saudando as pessoas que cruzam seu caminho.

Nesses poucos instantes em que nos falamos tornou-se parte de mim e ao seguir da maneira que seguiste, sorridente e com caridosa simpatia tornou-se o símbolo espontâneo de algo maior e inominável, apenas assisti-lo seguindo caminho evoca em mim um leve sorriso.
#arte#poema