O Amor Que Ficou Preso Entre o Adeus e a Saudade
Tem gente que vai embora…
mas esquece o coração dentro da gente.
E talvez seja por isso que algumas saudades doem tanto.
Porque elas não são apenas ausência.
São pedaços vivos de alguém
respirando dentro da nossa alma
mesmo depois do fim.
Eu tentei seguir.
Juro que tentei.
Tentei ocupar os dias,
sorrir nas fotografias,
conversar com outras pessoas,
me convencer de que o tempo cura tudo.
Mas ninguém fala sobre as madrugadas.
Ninguém fala sobre aquele silêncio cruel
que aparece quando o mundo inteiro dorme
e só a saudade continua acordada.
É nessa hora que você volta.
Volta no cheiro da chuva.
Na música que toca sem querer.
Na rua que eu evito passar.
No café que esfria enquanto penso em nós.
Na parte vazia da cama.
Na parte vazia de mim.
Porque existem amores
que não acabam quando terminam.
Eles continuam vivendo escondidos
nos detalhes mais pequenos da vida.
E o pior tipo de amor
é aquele que ainda mora no peito
mesmo depois de ter perdido o endereço.
Você foi isso.
Meu caos favorito.
Minha calma impossível.
Meu quase.
Meu nunca completamente esquecido.
Às vezes eu me pergunto
se você sente isso também.
Se em alguma madrugada qualquer
você também fica olhando para o teto
tentando entender
como duas almas que se amavam tanto
acabaram virando lembrança.
Porque a verdade é que nós não terminamos direito.
Ficaram palavras entaladas.
Abraços não dados.
Mensagens apagadas antes de enviar.
Beijos que morreram de saudade antes de acontecer.
Ficou amor demais
para um final tão pequeno.
E talvez seja isso que mais machuca.
Não foi falta de sentimento.
Foi excesso de orgulho.
Excesso de medo.
Excesso de silêncio.
A gente se perdeu
não porque deixou de amar…
mas porque amar virou uma guerra
e nenhum dos dois soube salvar o que sentia.
Tem noites em que eu ainda converso com você
dentro da minha cabeça.
Imagino você chegando,
pedindo desculpas,
me abraçando forte
como quem encontrou o próprio lar depois de anos perdido.
Imagino você dizendo:
“eu nunca deixei de te amar.”
E talvez essa seja minha pior prisão:
continuar criando finais felizes
para uma história
que a vida fez questão de interromper.
Mas como esquecer alguém
que virou parte da nossa existência?
Você estava nos meus planos.
Nos meus sonhos.
Nos meus domingos.
Nos meus futuros filhos imaginários.
Nas viagens que nunca fizemos.
Nas músicas que tinham nosso nome escondido nas letras.
Você estava em tudo.
E quando alguém vai embora assim…
não leva só a presença.
Leva versões inteiras da gente.
Depois de você
eu nunca mais fui completamente a mesma.
Aprendi a sorrir escondendo dores.
Aprendi a fingir que superei.
Aprendi a responder “estou bem”
enquanto o coração desmoronava em silêncio.
Porque algumas pessoas não entendem
que existem saudades
que não passam.
Elas apenas aprendem
a sobreviver dentro da gente.
E dói…
Dói quando vejo algo bonito
e meu primeiro pensamento ainda é você.
Dói quando escuto nossa música.
Dói quando alguém fala seu nome sem perceber o terremoto que isso causa em mim.
Dói quando lembro do jeito que você me olhava
como se eu fosse abrigo.
Porque ninguém nunca mais me olhou daquele jeito.
Talvez o amor da nossa vida
não seja aquele que fica.
Talvez seja justamente aquele
que parte levando metade da nossa alma.
E eu sei…
a vida continua.
Os dias passam.
As pessoas mudam.
Novos amores aparecem.
Mas existem marcas
que o tempo não apaga.
Você foi minha marca eterna.
Meu amor mal resolvido.
Minha saudade favorita.
Minha dor mais bonita.
E mesmo depois de tudo…
mesmo depois do silêncio, da distância, do orgulho e do fim…
a parte mais sincera de mim
ainda te procura em todos os lugares.
Talvez porque o coração seja teimoso.
Ou talvez porque certos amores
não nasceram para acabar.
Nasceram apenas para doer eternamente.
—Paulinha Cunha—
#SaudadeQueDói
#AmorMalResolvido
#PoesiaProfunda
#AlmasQueSeProcuram
#DorQueViraPoesia
P