O Amor Que Ficou Preso Entre Nós
Existe um amor que não vai embora,
que insiste em ficar mesmo quando a gente manda,
que se instala no peito como raiz profunda
e sangra em silêncio, numa dor que não se fala.
Eu tentei esquecer o jeito que você sorria,
tentei apagar cada detalhe da sua voz,
mas a memória é cruel quando ama de verdade —
ela guarda tudo, absolutamente tudo de nós.
Há noites em que o travesseiro
ainda guarda o cheiro de quem foi,
há manhãs que acordam pesadas
porque a saudade chegou antes de mim.
E eu fico aqui, nesse entre-lugar estranho,
nem curada, nem perdida de vez —
apenas suspensa entre o que foi
e o que nunca vai poder ser outra vez.
Saudade é isso:
não é só sentir falta de alguém,
é sentir falta de quem você era
quando essa pessoa ainda te queria bem.
É sentir falta dos planos que morreram,
das risadas que se foram sem avisar,
dos abraços que viraram lembrança
e das palavras que ficaram por falar.
Saudade dói diferente quando o amor
não teve um fim bonito nem um adeus
quando simplesmente desmoronou
em silêncio, aos pedaços, entre nós dois.
Eu queria ter guardado mais momentos,
eu queria ter dito mais "eu te amo" em voz alta,
eu queria que o tempo tivesse sido mais gentil
com tudo aquilo que, sem querer, nos faltou.
Mas o tempo não perdoa quem hesita,
e o amor não espera quem tem medo de sentir
e ficamos os dois, com o coração cheio de perguntas,
sem saber ao certo como foi que tudo foi partir.
Tem um buraco no peito que tem seu nome,
tem uma dor que não passa com o tempo, não
ela só muda de forma, muda de endereço,
mas segue morando aqui, dentro do coração.
E eu aprendi que amar com essa intensidade
é um presente e uma maldição ao mesmo tempo:
porque quem ama assim nunca esquece de verdade,
carrega o outro como tatuagem, para sempre, no tempo.
Você foi o amor que me fez acreditar
que existia algo maior do que o medo,
foi a prova viva de que o coração humano
é capaz de amar além do que o pensamento entende.
E mesmo que a história tenha terminado torta,
mesmo que a dor ainda chegue em ondas quando menos espero
eu não me arrependo de ter te amado tanto,
porque amar você foi a coisa mais real que eu já fiz de verdade.
Então fica aqui, guardado nessa poesia,
tudo aquilo que eu nunca soube te dizer:
que você foi a saudade mais bonita da minha vida,
e que eu te amo ainda — mesmo sem poder te ter.
Que a dor de amar seja sempre maior do que o medo de sentir.
Que a saudade nos lembre que um dia fomos capazes de tudo.
E que o amor, mesmo quando dói, nunca seja em vão.
—Paulinha Cunha—
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