W

O BEIJO. Há um momento antes do beijo que é o mais bonito de todos, quando os…

O BEIJO.

Há um momento antes do beijo
que é o mais bonito de todos,
quando os lábios já se procuram
e o mundo some aos poucos.

É um segundo que dura uma eternidade,
suspenso entre o querer e o ter,
cheio de uma doce ansiedade,
de quem já sabe o que vai acontecer.

Há um tremor suave nas mãos,
um calor que sobe devagar,
são dois corações, duas estações,
que finalmente aprendem a se encontrar.

Os olhos fecham devagar,
como quem aceita render-se,
como quem já não quer lutar
e escolhe simplesmente perder-se.

Como quem entrega tudo de uma vez,
sem medo, sem pressa, sem razão,
como quem faz pela primeira vez
a coisa mais certa da sua vida então.

Há uma coragem nesse gesto simples,
de aproximar os lábios e ficar,
são duas almas que se tornam símbolos,
de tudo o que é bonito nesse lugar.

A barba que roça a pele macia,
o nariz que encontra o outro,
é a mais perfeita harmonia,
o mais silencioso e doce encontro.

Um encontro que dispensa qualquer fala,
que não precisa de palco nem de luz,
acontece quieto, numa sala,
ou debaixo do sol que a tudo seduz.

Acontece numa tarde de inverno,
quando a chuva bate na janela,
num momento simples e eterno,
que a memória guarda e nunca dela.

Nesse segundo suspenso no ar,
onde o tempo decide parar,
duas almas aprendem a falar
a língua que não precisa de palavras.

Uma língua antiga e verdadeira,
que existia antes de tudo o mais,
falada de uma maneira inteira,
com o corpo, a alma e nada mais.

Uma língua que os poetas tentaram,
descrever mil vezes sem conseguir,
que os apaixonados inventaram,
no único momento de ser e existir.

Os lábios contam tudo o que calaram,
tudo o que o medo não deixou sair,
são verdades que se derramaram
no único lugar seguro para existir.

Verdades guardadas por tanto tempo,
dentro do peito como segredo,
que encontram agora o seu momento
e saem sem pressa e sem medo.

Verdades que viviam escondidas,
atrás de sorrisos e de silêncios,
que agora saem, finalmente livres,
como pássaros soltos ao relento.

Há também o teu cheiro que me envolve,
como névoa quente e familiar,
é um mistério que nunca se resolve,
e que eu não quero nunca terminar.

O teu cheiro que fica na memória,
que me persegue em cada lugar,
que carrega dentro uma história,
que só nós dois sabemos contar.

E o teu cabelo entre os meus dedos,
como seda escura e delicada,
guardamos juntos todos esses segredos,
nessa noite longa e perfumada.

Os teus olhos que antes de fecharem,
me olharam de um jeito diferente,
como se tudo finalmente dissessem,
o que sempre esteve presente.

As tuas mãos que seguram as minhas,
com uma força suave e certa,
são duas histórias, duas linhas,
que se encontram numa página aberta.

Beija-me assim, devagar e fundo,
como se fora o primeiro e o último,
como se não existisse mais o mundo,
só este momento, só nós, só isto.

Beija-me como quem finalmente chega,
depois de uma viagem longa e cansada,
como quem encontra o porto e se entrega,
e sabe que chegou em casa.

Beija-me até o tempo se perder,
até a noite confundir com o dia,
beija-me como só tu sabes fazer,
com toda a tua calma e toda a tua magia.

Beija-me como a chuva beija o mar,
com uma entrega total e verdadeira,
beija-me sem nunca me soltar,
fica comigo desta forma inteira.

Beija-me nas manhãs de sol nascente,
quando o mundo ainda está a despertar,
beija-me suave e gentilmente,
como quem tem todo o tempo do mundo pra ficar.

Beija-me nas noites de saudade,
quando a distância apertar o coração,
beija-me com toda a intensidade,
de quem sabe que o amor é a solução.

Quero guardar este momento para sempre,
dentro do lugar mais fundo que eu tiver,
quero que ele fique presente,
em tudo o que eu ainda vier a ser.

Porque este beijo não foi só um beijo,
foi um mundo inteiro a se abrir,
foi a resposta para o que mais anseio,
foi aprender de novo a sorrir.

Foi o começo de uma nova história,
escrita com os lábios e o coração,
uma das mais bonitas memórias,
que guardo com todo o meu amor e devoção.


LEI Nº 9.610/98 – DIREITOS AUTORAIS
WILLAD LIMA
28 de março de 2026