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O Eco do Meu Vazio

O Eco do Meu Vazio

Existe um silêncio que mora em mim,
não desses que acalmam o coração,
mas daqueles que gritam sem som,
que arranham por dentro
como unhas invisíveis na alma.

É um vazio que não se vê,
mas pesa…
pesa como se carregasse o mundo inteiro
dentro de um peito cansado
de fingir que ainda sabe sorrir.

Às vezes, eu me perco em mim mesma,
nos corredores escuros dos meus pensamentos,
onde cada lembrança ecoa
como passos solitários
numa casa abandonada.

E nesse eco…
eu me escuto.
Não a voz que mostro ao mundo,
mas a voz quebrada,
trêmula,
que implora por um pouco de paz.

O eco do meu vazio
repete teu nome…
mesmo quando eu tento esquecer,
mesmo quando finjo ser forte,
mesmo quando digo que já passou.

Mas não passou.

Ele ainda vive aqui,
entre as rachaduras do meu peito,
nas entrelinhas das minhas palavras,
no suspiro que escapa
quando a noite fica longa demais.

As noites…
ah, as noites são cruéis.

Elas me obrigam a sentir,
a lembrar,
a reviver cada detalhe
que durante o dia eu tento enterrar
sob sorrisos falsos e conversas vazias.

E então, no escuro,
eu me encontro de verdade.

Sem máscaras.
Sem desculpas.
Sem ninguém.

Só eu
e o eco.

Ele me pergunta coisas
que eu não sei responder,
me mostra feridas
que eu finjo não ver,
me faz encarar o abismo
que existe dentro de mim.

E eu caio…
caio devagar,
como se cada segundo fosse eterno,
como se não houvesse chão
para me salvar.

Mas o mais estranho
é que, mesmo no vazio,
ainda existe sentimento.

Uma esperança fraca,
quase apagada,
mas insistente…
teimosa…
viva.

Como uma chama
que se recusa a morrer,
mesmo sendo sufocada
pela tempestade que sou.

Porque, no fundo,
eu ainda quero sentir algo bonito,
ainda quero acreditar
que esse vazio
não é tudo o que restou de mim.

Talvez o eco
não seja só dor.

Talvez seja um chamado,
um pedido de socorro da minha alma,
uma forma silenciosa de dizer
que eu ainda estou aqui.

Que eu ainda existo.

Mesmo quebrada.
Mesmo perdida.
Mesmo vazia.

E quem sabe…
um dia,
esse eco deixe de ser dor
e se torne poesia.

Quem sabe ele preencha
os espaços que hoje doem,
e transforme o vazio
em algo que floresça.

Até lá…
eu sigo escutando.

Sigo sentindo.
Sigo sobrevivendo
a cada batida falha do meu coração.

Porque, mesmo no vazio…
ainda existe vida.

E enquanto existir vida,
há uma chance —
mesmo que mínima —
de recomeçar.

#poesia #sentimentos #vazio #alma #escrita

—Paulinha Cunha—
O Eco do Meu Vazio
#PoeAwards#Poemia