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O Fim que Foi Começo

O Fim que Foi Começo
Às vezes, o que chamamos de fim
É apenas o eco de um novo sopro,
Um respirar silencioso entre lágrimas e sorrisos,
Onde a saudade dança com o que ainda não chegou.

Fechei portas que pareciam eternas,
Despedi-me de sombras que se agarravam à minha pele,
Mas o vento insistia em sussurrar:
“Tudo termina apenas para começar de novo.”

E eu caminhei sobre cacos de memórias,
Pisando devagar, sentindo cada estilhaço
Transformar-se em luz sob meus pés,
Como se cada dor fosse uma estrela prestes a nascer.

O amor que partiu deixou sementes
Que germinaram no silêncio da noite,
E as flores que brotaram eram promessas
Que eu nem sabia que meu coração podia carregar.

Chorei rios de ausências,
Mas aprendi a navegar entre correntes e calmarias,
Descobri que a solidão pode ser uma mãe gentil,
Que embala e ensina, que molda e fortalece.

E entre os finais que a vida impôs,
Houve portas que se abriram inesperadas,
Janela de horizontes que eu nunca ousei imaginar,
E lá encontrei a mim mesma, inteira e incandescente.

O fim que foi começo, então, me ensinou
Que cada adeus é também um olá escondido,
Que cada lágrima pode ser semente de riso,
Que a noite mais escura sempre guarda um amanhecer.

Aprendi que recomeçar não é esquecer,
É aceitar, é transformar, é dançar com o desconhecido,
É sentir medo e ainda assim abrir os braços,
É ser inteira, mesmo quando tudo parece desmoronar.

E assim sigo, com o coração feito farol,
Guiando-me entre o ontem e o amanhã,
Agradecendo pelos finais que me moldaram,
Celebrando os começos que me libertaram.

O fim que foi começo, enfim,
É poesia que pulsa em cada batida do meu peito,
É chama que nunca se apaga,
É a vida me ensinando que renascer é o maior ato de coragem.

—Paulinha Cunha—

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