O Peso da Eternidade
No silêncio que ecoa entre meus pensamentos,
sinto o peso da eternidade deslizar pelos meus ombros.
Cada suspiro é um grito contido,
cada lembrança, uma chama que não se apaga.
O tempo me observa, impassível e lento,
e eu caminho entre sombras que não me pertencem.
O ontem me persegue como um vulto antigo,
o amanhã se esconde atrás de véus invisíveis.
Carrego comigo memórias que são pedras,
pedras de saudade, de amores que se perderam,
de promessas sussurradas no vento e esquecidas,
de abraços que se desfizeram antes do amanhecer.
A eternidade pesa como ferro frio,
como correntes que prendem a alma àquilo que foi.
E mesmo que eu tente voar,
meus pés encontram o chão daquilo que não posso mudar.
Mas há beleza na dor, há poesia na solidão,
há luz em cada sombra que atravessa meu peito.
Pois quem sente o peso da eternidade,
sabe também o gosto doce da intensidade.
E assim, eu sigo, entre lágrimas e sorrisos,
entre medos que ecoam e sonhos que se insinuam.
A eternidade não é só fardo,
é a prova de que vivemos, de que amamos, de que existimos.
Sinto o peso e, ainda assim, danço com ele,
como quem abraça o próprio destino,
como quem transforma cada cicatriz em estrela,
cada suspiro em poesia, cada dor em canção.
Pois a eternidade não é meu inimigo,
é minha mestra, minha amante, meu espelho.
E eu aprendo a carregar seu peso com coragem,
com a suavidade de quem entende o infinito
e se permite existir nele, inteiro, intenso, vivo.
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—Paulinha Cunha—
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