O Peso da Saudade
O peso da saudade não se mede em palavras,
ele se arrasta pelas ruas silenciosas da alma,
percorre os becos da memória,
encontra cada riso perdido, cada abraço que não volta,
cada olhar que se apagou entre o ontem e o agora.
Carrego no peito a lembrança dos dias quentes,
das tardes que cheiravam a flores e promessas,
dos sorrisos que eram luz e se tornaram sombras
quando o tempo, impiedoso, decidiu levar contigo
o que eu mais amava sem pedir licença.
A saudade é uma âncora cravada nas entranhas,
que me impede de flutuar livremente,
que me faz sentir o eco do teu nome
como um vento frio que sussurra lembranças
e aperta o coração num nó invisível.
Quantas vezes tentei escapar,
fugir das recordações que queimam por dentro,
mas elas me encontram em cada esquina,
em cada canção que toca baixinho,
em cada noite que parece mais longa
porque a tua ausência insiste em me abraçar.
E ainda assim, há beleza neste peso,
pois carrego contigo os pedaços mais sinceros de mim,
as memórias que me moldaram e me ensinaram
que amar é também sentir dor,
e que sentir falta é ter prova de que fomos reais,
mesmo quando o silêncio se torna infinito.
Hoje aprendi que a saudade não tem hora,
não escolhe dias ou estações,
ela chega sorrateira, às vezes doce, às vezes cruel,
trazendo lágrimas silenciosas
ou sorrisos tímidos de nostalgia.
O peso da saudade é o meu manto e minha coroa,
é a lembrança que me mantém viva,
é o amor que não morreu, apenas mudou de forma,
passando a habitar o espaço entre o passado e o presente,
entre o desejo e a memória,
entre o que fomos e o que nunca deixaremos de ser.
E assim sigo, com o peso da saudade nos ombros,
mas com o coração ainda pulsando forte,
porque cada suspiro, cada lembrança,
cada dor silenciosa é a prova
de que amar valeu a pena,
e que sentir falta é a mais pura forma de eternidade.
—Paulinha Cunha—
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