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O que eu guardava em mim era tão escaldante que até doía. Era tão intenso que…

O que eu guardava em mim era tão escaldante
que até doía.
Era tão intenso que até o gelo em mim se rendia,
fronteiras desconhecia e nada mais o continha.
Era tão grande que eu não quis guardá-lo sozinha,
e o entreguei a quem achei que merecia e que conservaria a sua essência,
não me faria sentir a ausência
Alguém que me aqueceria quando eu me esfriasse e me curaria quando me magoasse.

O inverno chegou,
e nada em mim havia sobrado.
Faltava o calor,
faltava eu me sentir novamente amado.
O café esfriou,
o seu calor ele não tinha reservado.
Em uma xícara deixou
o que a sete chaves jurou ter guardado.
E ela quebrou
Nada mais posso fazer para recuperalo.