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O Que Fica Quando Parte

O Que Fica Quando Parte

Quando alguém se vai,

não é só o silêncio que invade a casa,

não é só a cadeira vazia à mesa,

nem apenas o eco dos passos que não voltam mais.

Fica um perfume sutil na memória,

um gosto de lembrança nos cantos da boca,

um frio que se insinua nas noites longas

e um calor estranho nas tardes sem cor.

Fica o rastro de risadas que pareciam eternas,

o tom de voz que só o coração ainda entende,

as pequenas histórias que ninguém mais contará,

os segredos sussurrados entre paredes de saudade.

Fica o jeito de olhar o mundo,

o modo como tudo parecia menor ao lado dele,

os detalhes que só se notam quando a ausência dói,

e o silêncio que grita com mais força do que qualquer som.

Fica a lição do toque,

o ensinamento do abraço que acalmava tempestades,

a lembrança de que a vida é frágil,

e que cada instante deveria ser eterno.

Fica o vazio que ninguém consegue preencher,

mas também o espaço para novos começos,

a coragem que surge das lágrimas

e a força que nasce do coração partido.

Fica o amor que não se mede,

o carinho que não se apaga,

a saudade que é doce e amarga ao mesmo tempo,

e a certeza de que cada partida deixa algo valioso:

uma marca indelével na alma,

um rastro de lembranças que ninguém pode roubar.

Fica o tempo, lento e generoso,

que cura, mas não apaga,

que ensina a sorrir mesmo com dor,

e que lembra que cada partida

é apenas uma transformação do que permanece.

Quando alguém parte,

fique atento ao que fica,

porque o que realmente importa

não é a ausência,

mas a presença eterna nas pequenas coisas:

no vento que passa,

na luz que entra pela janela,

no silêncio que fala,

no coração que ainda bate lembrando.

O que fica quando parte

é a vida que insiste em continuar,

é a memória que floresce no presente,

é a saudade que ensina a amar de novo,

é o amor que não morre,

é tudo aquilo que ninguém consegue levar embora.

—Paulinha Cunha—

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