O som do teu olhar não se mede em palavras,
Ele dança nas sombras do meu silêncio,
Rasga o véu do mundo e me deixa nu por dentro,
Como um rio que não cessa,
Como uma maré que insiste em voltar.
Vejo nele tempestades contidas e risos escondidos,
Segredos que se desenrolam entre a luz e a penumbra,
E cada piscada tua é uma sinfonia que ecoa
No meu coração cansado de esperar por música.
O teu olhar não tem pressa,
Ele me estende aos poucos,
Como quem sabe que o tempo não apressa a alma,
Como quem conhece o peso e a leveza do desejo.
Quando teus olhos encontram os meus,
O mundo inteiro se curva em silêncio,
E eu sinto minhas defesas caírem,
Como castelos de areia tocados pelo vento do mar.
Há nele um fogo que não queima,
Uma calmaria que inquieta,
Uma verdade nua que não se mede,
Uma chama que me faz querer ser inteiro,
Mesmo sabendo que jamais serei o suficiente para contê-lo.
Eu poderia me perder neles por dias,
Meses, anos —
E ainda assim, cada segundo pareceria um instante,
Porque teu olhar é ponte e abismo,
É fuga e prisão, é começo e eternidade.
O som do teu olhar fala sem palavras,
Sussurra em frequências que só meu corpo entende,
Ecoa em pensamentos que eu nem sabia ter,
E deixa em mim marcas que ninguém mais verá.
Há nele o mistério do universo,
A beleza crua da vida em seu estado mais puro,
O misto de medo e coragem que me arrasta,
Que me ensina que sentir é mais importante que entender.
Quando fecho os olhos, ainda vejo teu olhar,
Ele se transforma em paisagem,
Em noite estrelada, em pôr do sol vermelho,
Em canção sem letra, mas com sentido profundo.
E sei que, mesmo que o mundo desmorone,
Mesmo que o silêncio se torne infinito,
O som do teu olhar continuará a tocar minha alma,
Como o vento que insiste em cantar entre as árvores,
Como a chuva que insiste em me molhar mesmo quando eu tento fugir.
Teu olhar é meu refúgio e minha perdição,
É minha âncora e minha liberdade,
E eu me deixo levar, completamente,
Hipnotizada pelo som que só ele sabe fazer,
Um som que é eterno, silencioso e impossível de esquecer.
—Paulinha Cunha—
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