O Tempo que Nos Molda ✨
O tempo não passa…
ele nos atravessa.
Ele não corre —
ele escorre por dentro de nós,
feito água silenciosa
que, sem pedir licença,
vai redesenhando nossas margens.
Houve um tempo
em que eu era inteira em sonhos,
ingênua nas esperas,
e acreditava que o mundo
cabia dentro de um abraço.
Mas o tempo…
ah, o tempo não negocia.
Ele leva o que a gente implora pra ficar,
e deixa o que a gente implora pra ir.
E assim, aos poucos,
fui aprendendo a perder
sem fazer barulho,
a sorrir com rachaduras,
a dizer “tudo bem”
quando nada estava.
O tempo me ensinou
que nem todo silêncio é paz,
e que algumas ausências
gritam mais alto que qualquer palavra.
Ele me mostrou
que crescer dói —
não como um corte rápido,
mas como algo que insiste,
que lateja,
que transforma.
E entre despedidas não ditas
e recomeços forçados,
eu fui me tornando outra.
Mais forte? Talvez.
Mais fria? Às vezes.
Mais consciente? Sempre.
Porque o tempo não cura tudo —
mas revela.
Revela quem fica,
quem finge,
quem ama,
e quem nunca soube amar.
E no meio de tantas mudanças,
de tantas versões de mim
que precisei abandonar,
descobri algo que o tempo
jamais conseguiu levar:
a minha essência.
Essa parte de mim
que ainda acredita,
que ainda sente,
que ainda se permite quebrar
— só pra se reconstruir mais bonita depois.
O tempo me moldou
como o vento molda a areia,
como o mar esculpe as pedras,
como a dor ensina a alma
a ser abrigo de si mesma.
E hoje,
eu não peço mais que o tempo volte…
nem que ele pare.
Eu apenas aceito.
Aceito que tudo tem seu ciclo,
seu fim,
seu recomeço escondido.
Porque no fundo,
o tempo nunca nos tira nada —
ele só nos transforma
naquilo que precisamos ser.
E talvez…
só talvez…
esse seja o seu maior ato de amor.
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—Paulinha Cunha—🔥