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O ÚLTIMO BEIJO

O ÚLTIMO BEIJO

Foi no silêncio que o mundo desabou,
não houve trovões, nem despedidas gritadas,
apenas o peso de um olhar que já não ficava
e de mãos que, aos poucos, deixavam de se procurar.

O último beijo não foi só um toque,
foi um adeus disfarçado de carinho,
um pedido mudo de “fica”
respondido com um suspiro cansado de “preciso ir”.

Teus lábios ainda sabiam a promessa,
mas teu coração já morava longe do meu.
E eu, tola esperança vestida de saudade,
ainda tentava encontrar abrigo no que já era ruína.

Ah, se o amor tivesse voz naquele instante,
talvez gritasse por nós dois,
talvez implorasse por mais um segundo,
mais um abraço, mais um recomeço.

Mas o tempo…
o tempo é cruel com os que sentem demais.
Ele não espera, não avisa, não consola,
apenas leva — e leva tudo.

Lembro do teu toque como quem relembra um sonho,
embaçado, distante, quase irreal.
Mas ainda dói…
como se tivesse acontecido agora.

Teu cheiro ficou nos meus dias vazios,
teu riso ecoa nos cantos da memória,
e esse último beijo…
esse último beijo nunca terminou dentro de mim.

Ele vive, insiste, resiste —
como uma chama que se recusa a apagar,
como um verso inacabado
que o coração se recusa a esquecer.

E mesmo sabendo que foi o fim,
parte de mim ainda te espera,
ainda acredita em milagres tardios,
em encontros improváveis, em nós.

Mas a verdade é dura, crua e silenciosa:
alguns amores não foram feitos para ficar,
foram feitos para marcar,
para transformar…
e depois partir.

E assim você foi —
levando contigo pedaços de mim
que talvez nunca voltem.

E eu fiquei —
com o gosto do teu adeus
guardado no meu último beijo.

—Paulinha Cunha—

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