Onde a Memória Ainda Respira o Teu Nome
Há dias em que a alma não acorda… apenas abre os olhos por dentro,
como quem escuta um sussurro antigo vindo de algum lugar que já foi coração.
E nesse lugar, escondido entre o ontem e o nunca mais,
a tua presença ainda me visita sem pedir licença.
Não és mais presença física,
mas és permanência invisível —
dessas que não cabem no tempo,
nem obedecem ao esquecimento.
Eu tento seguir,
mas há pegadas tuas espalhadas dentro de mim,
como se o meu peito fosse uma rua sem fim
onde o teu nome ainda passa devagar,
como um vento que insiste em não ir embora.
E eu…
eu aprendi a fingir coragem,
a sorrir em dias que pedem silêncio,
a dizer “estou bem”
enquanto por dentro tudo ainda te pronuncia.
Porque existem amores que não terminam,
apenas mudam de forma dentro da gente.
Viraram saudade.
Viraram eco.
Viraram aquilo que não se explica — só se sente.
E quando a noite chega,
ela não traz descanso… traz lembrança.
E a lembrança, cruel e doce,
me devolve cada detalhe teu como se fosse agora:
o olhar que me desarmava,
a voz que me acalmava,
e o jeito como o mundo parecia menos pesado quando era contigo.
Mas o tempo passou…
e mesmo assim, não passou de verdade.
Ele apenas me ensinou a te amar em silêncio,
onde ninguém vê,
onde ninguém interrompe,
onde nem mesmo a ausência consegue entrar.
E assim eu sigo…
entre o que fui contigo
e o que sou sem ti,
carregando um amor que não encontrou saída,
mas também não quis ir embora.
Porque algumas histórias não acabam.
Elas apenas se transformam em eternidade dentro da gente.
E eu te vivo assim…
em silêncio…
em memória…
em tudo que ainda respira teu nome dentro de mim.
—Paulinha Cunha—
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